quinta-feira, 9 de julho de 2009

terça-feira, 7 de julho de 2009

Jamaica Abaixo de Zero

Esse fim de semana fui tentar esquiar. Foi minha segunda tentativa e dessa vez rolou, ou melhor dizendo, deslizou.

Minha primeira experiência com esquis nos pés foi patética. Passei o dia inteiro para conseguir chegar ao início da pista e tomei capotes de todos os tipos (frente, lado, costas, etc.). Levei horas para fazer menos que o básico e ainda fui humilhada por centenas de criancinhas que passavam voando pela pista.

Dessa vez fui mais bem sucedida.

No primeiro dia fiquei meio quieta no começo da pista, dando umas deslizadinhas despretensiosas e passei mais tempo admirando os japoneses esquiar. Como eles são divertidos! Os caras cruzam meio mundo, usam roupas super descoladas e esquiam tão bem quanto eu, só que com um detalhe: são loucos! Se jogam na neve como se fossem de borracha e caem e riem e se divertem muito.

No segundo dia fiz um curso. Foi a melhor coisa que fiz. Técnica é tudo. Com um pouco de explicação até que não ficou tão difícil. Consegui descer a pista sem cair (muito) e até fiz aqueles ‘S’ na pista. Muito competente. Desci a pista abaixo várias vezes...

Fui esquiar em Farellones, que é estação de esqui mais próxima à Santiago. Chega-se em uma hora (mais ou menos 60 km de distância) por uma estradinha íngreme e cheia de curvas, que não é pior que a Taubaté-Ubatuba. Dá tranquilinho para ir e voltar.

Note que para ir de carro à Farellones é preciso ter correntes para colocar nos pneus. O problema é que só se deve colocar a corrente quando neva e o chão fica cheio de gelo.

Observando a estrada, é fácil notar que não há muito espaço para colocar as tais correntes, o que dá um pouco de medo. No caso concreto não nevou (enquanto estávamos lá) e não foi preciso fazer tais manobras. Assim, fica para a próxima aventura.

Uma coisa é evidente, mesmo para quem tem acesso fácil a pistas de esqui (caso dos santiaguinos), esse é um esporte caro. Para alugar um traje completo (roupa, botas, bastões e, claro, esquis) gasta-se uns 60 dólares, por dia.

Acabei comprando uma roupa usada. Os brechós (aqui há muitos) ficam lotados de roupas de esqui nessa época do ano. Comprei uma jardineira, um casaco e um par de luvas por 80 dólares. Compensa para quem pretende esquiar mais de uma vez.

Já esqui e botas são outros quinhentos. Só vale a pena comprar se você for um entusiasta. Elas são bem caras e mesmo um principiante (como eu) percebe que não dá para comprar qualquer bota. Se quiser comprar, compre uma muito boa ou seu pé não vai mais existir depois de algumas tentativas. Além de serem usadas muito apertadas, como botas de gesso mesmo, elas são feitas para que o corpo seja projetado para frente numa posição pouco natural. Por ser naturalmente tão desconfortável, tem que ser bem feita.

Obviamente, está cheio de brasileiros (mesmo com a porcina), a tal ponto que você pode estar lá na montanha e escutar um “consegui” bem sonoro. Paciência.

Depois que consegui esquiar ficou divertido e menos cansativo, mas você termina o dia podre. Recomendo a tentativa e o curso (não teria conseguido sem o instrutor).

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Porque eu odeio as farmácias do Chile.

Antes de aprofundar o raciocínio, quero dizer que eu amo farmácia (drogaria no caso). É uma delícia andar por aqueles corredores cheios de cremes e shampoo, cheirar pote por pote, olhar todos os diferentes fatores de proteção solar que existem no mundo e, quando se tem um tempinho, comparar uma mecha de cabelo com as amostras da L’Oreal até verificar qual é o nome do seu tom de cabelo (castanho, dourado avermelhado ou louro vermelho escuro, etc.).
Aqui no Chile as farmácias são muito chatas!
Para começar, só aquilo que é estritamente perfumaria fica exposto no balcão. Sabonete, shampoo, desodorante e olha lá. Em alguns casos nem isso.
Quase todo o resto, fica atrás do balcão. Qualquer coisa mesmo. Dermacyd (que aqui chama Lactacyd) fica sempre atrás do balcão. Optti-Free e produtos similares também estão sempre atrás do balcão. Esmalte e maquiagem, tudo trancado a sete chaves.
Em São Paulo, qdo preciso comprar produto para lente de contato vou à farmácia, vejo os produtos disponíveis e escolho o que está em mais vantagem.
Aqui não é tão fácil.
O procedimento é assim. Você chega à farmácia e saca uma senha. Uma papeleta bem similar àquelas disponíveis em repartições públicas, cartórios e outros lugares chatos. Quando finalmente vc é atendido e pede “solución para lentes de contactos” a mulherzinha vai lá e pega o que estiver mais caro. Se quiser verificar o preço, o sujeito tem que se esticar e ver quais outras marcas estão disponíveis, pedir todas e perguntar.
Por algum tempo, cheguei a pensar que houvesse uma limitação para deixar alguns produtos expostos, mas não deve ser nada disso não. Até porque dá para comprar toda a bagulhada sem receita.
Acho que é mesmo uma estratégia “burra” para fazer mais dinheiro.
Aliás, quando cheguei aqui pela primeira vez, o assunto do momento era o cartel formado pelas três principais redes de farmácia locais – e denunciado por uma delas - no intuito de vender mais caro e eliminar os genéricos. Tinha um monte de gente protestando na frente das farmácias e só se falava nisso.
Até agora nada mudou. Os caras continuam empurrando coisas e caras e produtos simples (tipo soro fisiológico) não se encontram em lugar nenhum.
Se eu fosse amiga do Onofre mandava abrir uma drogaria aqui e inovar o conceito de farmácia. Aposto que faria fila de dobrar o quarteirão.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Momix

O Momix esteve em Santiago e eu aproveitei.

Para quem não sabe, Momix é uma companhia de dança americana que tem por marca registrada a ilusão de ótica, o trabalho com luz e sombra, bonecos e acrobacia. Aí em baixo, coloquei um link para um vídeo que está no youtube e que tem um resumo do espetáculo que eles apresentaram aqui (Bothanic).

Como não estou aqui para fazer crítica de espetáculos vou apenas dizer que gostei MUITO do show.

Comprei os ingressos pelo Ticket Master daqui. Primeiro, tentei por internet. Não consegui porque não tenho RUT (que é o RG, CPF, carteira de motorista e n° de passaporte dos chilenos).

Acabei tendo que comprar por telefone e não me irritei. A mocinha foi educada e bastante paciente. Além disso, embora não tenha sido atendida de primeira, devo dizer que a espera foi bem aceitável.

O espetáculo foi no teatro Teleton. Trata-se de um teatro com capacidade para 1250 butacas, que se localiza no centro da cidade (próximo ao metrô, inclusive). Sábado levou, no máximo, 15 minutos para chegar.

Não sei muito sobre a história do teatro, mas sei que ali se apresenta (ou apresentava) o Teleton (óbvio). Quem apresenta o Teleton é Don Francisco (o Silvio Santos da América Latina, que vive em Miami e, por acaso, é chileno).

Passando o teatro, há um estacionamento gratuito, mas não muito grande. De qualquer forma, chegamos com meia hora de antecedência e tinha onde estacionar.

Comprei um ingresso intermediário (aproximadamente 100 reais) e a visibilidade estava bem boa.

A única coisa foi que achei a platéia meio fria. Estou acostumada a uma certa algazarra (assobios, gritos, gente aplaudindo em pé, etc.). Aqui não teve nada disso, só uns aplausos modestos. No entanto, não acho que as pessoas tenham desgostado.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Gripes

Desde que o Ministério da Saúde recomendou aos brasileiros que não viagem ao Chile, está o maior bafafá, ainda mais que os jornais daqui são tão sensacionalistas quanto os brasileiros.

Até uma menina do MMSO, que tinha planejado vir para cá em Julho, me mandou um e-mail perguntando sobre a gripe. Respondi a ela – ontem de manhã – que, de fato, havia muitos casos registrados (5.000 mais ou menos), mas que eu não conhecia ninguém que estivesse infectado.

Pois é, na hora do almoço descobri que duas pessoas (a filha de um amigo do Carlos e a irmã de outro) pegaram a gripe dos porquinhos, que aqui se chama ‘gripe porcina’.

As duas meninas que pegaram a porcina (ou foram pegas por ela, sei lá) freqüentam escolas e similares. É fato notório que colégios são os maiores antros de pestilência, bactérias e micróbios que há. As duas porcinas estão em casa e, não fosse a confirmação do exame, poderiam passar por gripadas comuns.

O interessante é que aqui, com o avanço da doença, as pessoas parecem estar cada vez mais desencanadas.

Quando apareceu o primeiro caso (bem depois do Brasil, diga-se), parecia que a sétima praga do Egito estava chegando ao país. A TV só falava disso e era um tanto de matérias mostrando gente comprando aquelas máscaras de hospital, emergências lotadas e assim por diante.

Agora que a gripe se espalhou, parece que estão um pouco menos apocalípticos.

Veja-se que o Chile – e Santiago especificamente – é o lugar perfeito para gripes. Frio, seco e poluído. Ademais, como a maior parte dos lugares fica fechada todo o tempo já viu.

Mesmo assim, não deixa de ser meio engraçado ver as crianças todas encapotadas na rua e no metrô. Os casacos são tão grossos que as coitadas nem conseguem fechar os braços e ficam parecendo umas estrelas. Para completar, as mães colocam a tal máscara (que não adianta muito, parece) e enrolam um cachecol por cima e lá vai a coitada da criança parecendo uma trouxa de roupa.

Só para não passar em batido, como o assunto do dia é a morte de Michael Jackson, umas das notas do UOL tem um título para lá de interessante:

“Fã que acompanhou ensaio diz que se assustou com aparência de Michael Jackson”

Só ela?

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Globalização

Para aqueles que ainda não sabem, acabei assinando a Globo internacional. Assim, posso acompanhar a novela, saber mais sobre a Índia e, de quebra, assistir as notícias do mundo pela ótica do Jornal Nacional. O Carlos também ficou felizão porque agora pode ver os jogos do Corinthians...

A programação é basicamente a mesma com o detalhe que tudo passa com um dia (novelas) ou uma semana (A Grande Família) de atraso. O jornal é ao vivo. Há também um mix com os programas da GloboNews, Futura, Multishow etc.

Mas o mais interessante são as propagandas. No topo da lista estão as propagandas de agências de viagens, empresas de mudança e de envio de dinheiro.

Também há muitos anúncios sobre pontos de vendas de produtos brasileiros, nenhum deles em Santiago, infelizmente. Como a retransmissão que chega ao Chile é a mesma que vai para os EUA, quase todos os anúncios são de empresas localizadas em Miami, depois Nova York e Jersey e, por último, Los Angeles.

Os anúncios mais divertidos são aqueles de empresas que prestam serviços para facilitar a vida dos brasileiros com destaque para serviços legais e paralegais. As propagandas são sempre assim:

“Problemas com visto, acidentes de trânsito, acidentes de trabalho, divórcio...

Nossa equipe é especializada em direito de imigração, criminal e família”

Ou então uma coisa mais pessoal:

“É muito difícil quando estamos longe de casa e da família e quando queremos ter parentes vivendo próximos... Estamos há mais de 20 anos auxiliando a comunidade brasileira com problemas de vistos, deportação, acidentes de carro, etc...”

E daí aparecem imagens de advogadas arrumadinhas, de tailleur azul marinho, camisa branca e pérolas, ao lado de um engravatado mais senior e outro engravatado mais jovem fazendo cara de mau.

Além de ter uma boa imagem da vida que os brasileiros levam em Miami (aparentemente a galera se envolve em muito acidente de trânsito) as propagandas são muito divertidas e inusitadas.

Para quem não sabe, no Brasil, a OAB proíbe qualquer advogado ou escritório de advocacia de fazer qualquer tipo de propaganda. Não pode ter nome fantasia (por isso todo escritório chama Silva & Silva), não pode anunciar nem êxito nem especialidade em qualquer veículo de comunicação, não pode divulgar nada.

A idéia por trás disso é não gerar demanda, tipo assim: seu vizinho tá te enchendo a paciência? Mata o cara que eu faço uma defesa maravilhosa!

Claro que isso é um exagero, mas outro dia, vi um anúncio de um advogado especialista em acidentes.

A seqüência de imagens mostra um tipo trabalhando numa obra e a mensagens “acidentes de trabalhos?”, o Fulano de tal é especialista em indenizações e acidentes. Logo aparecem as imagens de um figura de cavanhaque, engravatado, lendo livros de capa dura e apontando um quadros com imagens da anatomia de uma perna (músculos, ossos e essas coisas).

Fosse no Brasil, a Camargo Correa mandava prender o sujeito. Nos EUA pode.

Sinceramente, acho que a OAB tem um pouco de razão e é fato que as propagandas são meio ridículas. Por outro lado, no Brasil ninguém conhece direito nenhum.

Enfim, esse post não tem conclusão.

Ah, também tem muita propaganda de clínicas odontológicas – chiquérrimas, diga-se. Pelo jeito, os dentistas brasileiros ainda são um sucesso.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Choveu, choveu e apareceu


No campo...
E na cidade...