quinta-feira, 30 de abril de 2009

Vinos e Baños

Ontem fiz um programinha muito bom: fui a um banho turco.

Bem, não era bem um banho – como aqueles banhos árabes espanhóis – mas uma sauna com massagem e relaxamento. Excelente.

O local se chama Baño Miraflores e fica bem no centro da cidade.

Lembrando do banho em Madri, levei um biquíni que se provou desnecessário. No banho Miraflores mulheres ficam de um lado e homens de outro. Assim sendo, o despudor é geral e a mulherada fica peladona (ou quase já que eles dão uma espécie de toalhinha para vc se enrolar, além de tocas para o cabelo, chinelinhos e uma cestinha para badulaques).

No local há uma sauna a seco, uma sauna a vapor e duchas (tudo bem limpinho). Você pode levar todos os creminhos que quiser e ficar fazendo esfoliação, hidratação, etc. Pode entrar e sair da sauna quando quiser, tomar duchas quentes e frias ou ficar só descansando, lendo uma revistinha e tomando suquinho de laranja com cenoura ou, para quem não tem medo de desmaiar, uma cerveja.

Sendo bem honesta, a sauna seca parecia um forno. Fui olhar o termômetro e marcava 95 graus. Não sei se o termômetro estava correto, mas a idéia de entrar em ebulição não é propriamente agradável. Fiquei meio sem coragem de entrar novamente.

Já a sauna a vapor era uma delícia. Com várias folhas de eucalipto sobre o vaporizador tinha um cheiro muito gostoso. Tão gostoso que fiquei imaginando se haveria manjericão junto.

Depois de ficar horas nesse vai e volta, fui para massagem. O pessoal faz massagem e esfoliação com lama vulcânica (uau) e depois te coloca numa máquina que parece um daqueles aparelhos para bronzeamento artificial. Você deita e toda a caminha começa a vibrar. No escurinho e no silêncio, fiquei lá viajando...

Saí do banho por volta das quatro e meia com aquela fominha de piscina e andando nas nuvens.

Um detalhe interessante é que o banho fica no segundo subsolo de um prédio comercial no centro da cidade, ao lado do prédio da Movistar (entre outras corporações) e perto do metrô Santa Lucia. No primeiro subsolo tem uma boate de mulé pelada.

Já na segunda-feira, minha escola de espanhol proveu um mini curso de degustação de vinho. Chamaram um sommelier que levou quatro garrafas de vinho. Também serviram queijinhos, pães e até uns salaminhos.

No curso, aprendi a verificar se o vinho é jovem ou velho e a sentir os aromas simples e complexos (tá se achando).

Tomamos três vinhos chilenos (um Carménère, um Merlot e um Cabernet Sauvignon) e um vinho argentino (Malbec).

O Carménère é, atualmente, o xodó do Chile e também o vinho típico do país. Aparentemente, durante o século XIX, uma praga varreu esse tipo de uva de todo o mundo. A coitadinha da uva era considerada extinta até que, em algum momento dos anos 90, um enólogo francês, ao analisar as uvas que cresciam no Chile (tratadas como Merlot) descobriu que estas, na verdade, eram uvas Carménère.

Hoje, além do Chile, apenas alguns poucos lugares na França e dos EUA produzem esse tipo de uva (que não vinga muito por causa da tal praga).

Uma coisa muito útil que aprendi na aula é que, se você estiver num mercado escolhendo um vinho e aparecer uma garrafa onde está escrito “Chile – Vale Central” NÃO COMPRE!!!

O Vale Central é formado por dezenas de pequenos vales e cada um tem suas vinícolas e vinhas. Dizer que o vinho é do Vale Central significa, literalmente, que os caras pegaram um restinho de vinho de cada uma dessas vinícolas, misturaram tudo, e fizeram um “vinhão”.

Ademais, embora a estrela seja o Carménère, você deve sempre se preocupar em pensar de que região/vale veio o vinho. Dependendo do local, o Merlot pode ser melhor que o Carménère e assim por diante. Vou tratar de comprar um mapa com as regiões e os vinhos de cada local ara não errar mais.

Outra coisa interessante é que a safra de 2007 foi especialmente boa. Assim, se estiver na dúvida deve-se optar, sempre, por um vinho desse ano. A chance de ser melhor é grande. Já a safra de 2008 não foi tão boa e a de 2009 tampouco será (nem no Chile nem na Argentina).

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Eventos Sísmicos

Prezados amigos,

Semana passada estava pensando em fazer um post sobre a vida cotidiana. Tinha o texto pronto na minha cabeça e até fiz uma fotos do bairro para postar. Só que, na sexta, fiquei com preguiça de escrever, no sábado também e aí...

Bem, o fato é que na madrugada de sábado para domingo um evento interessante ocorreu de maneira que o post ‘das cotidianas’ ficará para outro dia.

Sábado à noite, fomos à casa de um amigo do Carlos tomar umas cervejas e bater um papinho. Lá ficamos até a uma e meia mais ou menos, já que o plano era acordar cedo no domingo (o Carlos faria um sushi na casa de outro amigo).

Estou dormindo felizinha da vida quando, por volta das quatro da madrugada, acordo dentro de uma coqueteleira! A porta sacudia e fazia pamapampampam... o quarto inteiro chacoalhava, a cama batia. Levou uns cinco segundos até eu entender o que se passava. Quando diminuiu a velocidade do liquidificador, dei um cutucão no Carlos para saber se ele estava acordado e eu, viva ou morta.

Em resumo, um ‘temblor’ de 5,2 graus na escala Richter (coisa pouca, ao que parece). O epicentro se localizou na província argentina de Mendoza, a 150 de Santiago. Na escala de Mercalli – que mede a intensidade conforme os efeitos produzidos pelo tremor e vai de I a XII (sendo I ‘nem ligo’ e XII ‘completa destruição’) – foi um tremor grau IV.

Em termos de comparação, e considerando a escala Richter, foi igual ao que ocorreu em SP ano passado. Em termo de sensação, esse pareceu mais forte. Em SP, como eu estava num auditório, pensei que tinha alguém sentado perto de mim, sacudindo as pernas. Aqui, as portas bateram e tudo ficou sacudindo. Além do mais, como estava dormindo e acordei com a tremedeira, estava mais pendente a exagerar mesmo.

Apesar de tudo, ninguém deu bola. O Carlos, por exemplo, enquanto o quarto ainda ia de um lado para o outro, resolveu aproveitar para fazer um xixi e voltou para dormir. Já eu fiquei acordada esperando rolar um segundo tremor e o prédio desabar.

Evidentemente, o segundo tremor não aconteceu (ainda) e o prédio não desabou.

A título de esclarecimento, Santiago tem muitos prédios com dez, quinze, até vinte andares. Eu, por exemplo, estou no 13°.

Teoricamente, todos muito bem preparados para resistir a um terremoto.

Ocorre que nenhum desses prédios havia sido construído em 1985 (quando houve o último grande terremoto em Santiago). Naquela época, só havia prédios de três ou quatro andares, de tal sorte que, na prática, nenhum desses edifícios foi posto à prova. É esperar para ver.

É isso, estarei reportando toda (ou quase toda) novidade sísmica que ocorrer pelo caminho.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Porque vim para o Chile

A piadinha é para as ddemicas que já viveram nas terra de Espanha...

Pois bem. Já foi dito que o Chile seria a última fronteira - The ultimate ddm challenge. Agora vem a prova que faltava...



quarta-feira, 22 de abril de 2009

Turistando

Essa semana estou estudando de manhã e tenho usado as tardes para turistar (ô vidão).

Ontem fui ao Centro Cultural La Moneda e hoje ao Museu Histórico de Santiago.

O Centro Cultural fica logo atrás do palácio La Moneda, o qual, deve-se dizer, fica parcialmente aberto ao público em geral e serve de passagem para os reles mortais. Trata-se de um prédio subterrâneo com lojas, exposições, cinema e oficinas.

Conheci o Centro Cultural da outra vez que estive aqui e resolvi repetir a dose. Não me arrependi. No primeiro subsolo tem uma loja de produtos de artesanato (principalmente de coisas mapuche) com roupas, jóias, objetos de madeira e cerâmica não caros e muito bonitos. Ali também funcionam oficinas de artesanato com mestres mapuches.

Também havia uma exposição com os melhores projetos de desenho industrial e gráfico, desenho de interiores e outros realizados pelos alunos de diversas universidades locais. Muito legal e interessante.

Por fim, havia ainda uma exposição de obras sacras coloniais. Não sou grande apreciadora de arte sacra mas...

Imaginem o quadro da Santa Ceia de Leonardo da Vinci (uma mesa, todo mundo olhando para câmera, Jesus no meio). Agora imaginem que, em vez de roupas azuis, marrons e brancas, a galera (no caso, os Santos) tivesse sido vestida pelo Joãzinho Trinta e Cristo fosse cabelator. Imaginaram? Pois é.

Infelizmente não pude tirar foto então vocês vão ter que imaginar mesmo. Quem quiser ver mais do centro, é só entrar aqui

Hoje fui ao Museu Histórico. É interessante também com móveis da colônia e outros objetos históricos.

Gostei principalmente da parte relativa à história do séc. XX... Parafraseando o Caetano: para o chileno branco é branco, preto é preto e a mulata não é a tal. Em suma, e sem fazer juízo de valor, você pode até ter saudades do Pinochet (ou do Allende) mas você não pode fingir que ele não foi o Pinochet (ou o Allende).

No Museu estão expostos os óculos do Allende (ou o que sobrou deles) e que foram resgatados por uma mulher que os guardou durante todo o período da ditadura e depois doou ao Museu.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Cadê minha bússola?

Dando seqüência ao rol de informações semi-úteis sobre Santiago, uma coisa que me chamou a atenção desde que eu cheguei aqui é a forma como as pessoas se orientam e, inclusive, marcam encontros. Vamos aos exemplos:

- O restaurante fica na esquina sur-oriente;


- Vamos nos encontrar na esquina nor-poniente das ruas Miguel Claro e Providência.

Ok, até para mim - que sou uma pessoa razoavelmente orientada - essa é a forma mais engraçada e maluca de marcar pontos de encontro que eu já vi.

Para quem não captou, explico: as pessoas aqui (todas elas) se orientam pelos pontos cardeais que chamam de norte, sur, poniente e oriente. Assim, o encontro na esquina nor-poniente (ou noroeste) pressupõe um conhecimento aprofundado da rosa dos ventos. Se não estiver familiarizado com o conceito apele para a bondade alheia. Vai ter sempre alguém disposto a lembrar que a referida esquina é aquela onde está o Starbucks.

A explicação para esse modo único de marcar encontro é que, como a cordilheira margeia toda a cidade pelo lado oriente (tô craque), fica fácil saber onde estão os 'pontos cardeais'.

Tá bem, eu até concordo. Mas vá aplicar esse raciocínio quando vc está dentro do buraco do metrô!

E aí você desce na estação do metrô e, em vez de encontrar uma explicação tipo: saída sentido Rua Consolação/saída sentido Rua Augusta; você encontra: saída Av. Providência Norte/saída Av. Providência Sul.

Para auxiliar os perdidos, as plaquinhas do metrô sempre tem a indicação de onde está o norte:

http://www.metrosantiago.cl/planos.php

Agora, vejam bem, depois de dar umas voltinhas pela plataforma quem é que lembra onde está o norte (quanto mais o nor-poniente)?

As placas de rua que indicam os caminhos pela cidade também usam essa estratégia. Imagino que depois de um tempo, vou me acostumar... se que todo mundo usa esses termos eu também vou chegar lá.

Seja como for, se algum dia você vir um chileno dando entrevista e informando que o suspeito fugiu para o oriente isso NÃO quer dizer que ele tenha ido se refugiar na China ou no Afeganistão. Ele, simplesmente, correu para lá.

Vou ficar devendo umas fotos com essas informações. Amanhã vou dar uma volta pela cidade e faço alguns registros.

Em tempo, andei buscando umas imagens do metrô para colocar aqui e começou a aparecer um monte de foto de mulher pelada. Daí achei essa matéria da BBC:

http://www.truveo.com/Stripper-que-dan%C3%A7a-em-metr%C3%B4-no-Chile-%C3%A9-presa/id/3719926185

Imagina em São Paulo!!!

sábado, 18 de abril de 2009

Bizarrices do Brasil

Ok, eu nem vou discutir o fato de que esse Jackson Lago deve ser um tremendo picareta.

Agora, cassar o mandato do cara por abuso de poder e uso irregular da máquina pública e devolver o Estado para o Sarney... hahahahaahahhahahahahahhahahahahhahahahahahahhahahah

O mais louco de tudo é que no jornal dão essa notícia como se fosse coisa séria. Falam em detalhes dos votos dos ministros, das provas contidas nos autos, quanta besteira.

Alguém devia falar para Roseana: Pô Rô, até o curintia jogo um ano na segundona, dá uma chanche pro Jack. Mas quem é que vai contrariar sinhazinha?

Será que vou ser processada por esse post?

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Aulas e Cumpleaños

Essa semana comecei o curso de espanhol.

A Escola é meio o que eu esperava; está cheia desses jovens gringos que adoram o terceiro mundo. Vocês sabem o tipo. Estão sempre de havaianas, usam roupas coloridas e tem sempre aquelas caras felizes. Na minha sala estudam: uma americana de NY com formação em história da arte e moda que está num giro pela América Latina e cuja irmã namora um brasileiro e dá aulas de inglês para crianças em Belém do Pará; um alemão de 18 anos que faz tours de bicicleta pelo mundo e pretende fazer trabalho voluntário com crianças chilenas e uma suíça muito risonha que não diz muito a que veio.

Aliás, essa menina da Suíça é um caso interessante. Acho que nunca tinha conhecido um suíço antes e estou impressionada como eles conseguem incorporar essa coisa da neutralidade e da discrição. A menina não dá uma opinião consistente sobre qualquer assunto minimamente polêmico (seja casamento gay, aborto ou ‘poluição’) saindo sempre pela tangente.

Tá, vamos que ela não queira criar polêmica. No entanto, nesse tipo de curso, o público é sempre composto por europeus e americanos super moderninhos. Assim, dificilmente uma declaração a favor do casamento gay ou aborto geraria reações acaloradas. Mesmo assim, quando a coisa aperta, ela sempre dá um jeito de ser a favor e contra qualquer tema e pronto. Dá um certo medo.

Além dos meus colegas de sala outras pessoas que conheci são: uma inglesa que trabalha com projetos de saneamento e vai passar três meses da África vistoriando obras (ou coisa do gênero); uma Australiana que viveu no Quênia e que está acompanhando o marido engenheiro o qual deve passar uns meses em Santiago a trabalho; e um canadense casado com uma equatoriana que trabalha com efeitos especiais (faz aquele Supernatural).

Com o tempo, conto mais sobre os meus coleguinhas.

Ontem foi o cumpleaños do Carlos e fomos a um happy hour com os amigos dele. Foi uma bebedeira louca que terminou com a gente voltando a pé para casa, carregando o rádio e o i-pod de um amigo do Carlos e travando o seguinte diálogo:

- Carlos, por que vc pegou o rádio e o i-pod do Jorge?
- Para ele não voltar dirigindo.

Então tá.

A nota interessante é que na mesa tinham uma venezuelana, dois colombianos e um peruano (além claro de um monte de chileno). É interessante como a gente, no Brasil, vive isolado do resto da América Latina e como eles, literal e metaforicamente, falam mais ou menos a mesma língua.