sexta-feira, 12 de março de 2010

Durante o Terremoto

Bem, voltando aos tremores. Começou a tremer e eu fugi de casa. Como estava sozinha, peguei o note e me mandei para a casa da minha sogra onde o Carlos trabalha. O pior foi eu me trocando embaixo do batente do quarto.

Peguei a mochila, a bolsa e me mandei.

Quando já tinha descido uns oito andares lembrei que estava fazendo torradas e tinha esquecido o forno ligado. Subi tudo de novo e depois desci outra vez.

Cheguei aqui morrendo de medo e estava o babado na troca de governo. Isso é que é posse agitada! As fotos da estão impagáveis. A cara de medo do povo olhando para o teto é surreal. E se cai o teto da bagaça, passava-se o rodo na política latino-americana. Só sobrava o Lula e o Chaves. Já pensou a capa da Veja!!!

Não gosto de ser bidu, mas me parece que, para o Piñera, esse terremoto não será tão mau negócio. Afinal ele vai ter uma desculpa excelente para não cumprir nenhuma das promessas feitas em campanha.

Na verdade, já até começou.

A primeira promessa que ele teria que cumprir (dentre as que havia feito) é que, no dia da posse, não teria mais nenhuma ação da LAN Chile. Por causa do terremoto, no entanto, ele não as vendeu. E aí você se pergunta: o que é que o cu tem a ver com as calças?

Eu nem sei se as ações perderam valor por causa do terremoto, mas, considerando que no dia seguinte da eleição, elas haviam sofrido grande valorização talvez a coisa tivesse equilibrado. Mas, ainda que seja esse o caso, o cara tinha prometido vendê-las não para fazer dindim com a venda, mas sim para evitar quaisquer suspeitas de interferência entre governo e empresa. Quem tá no mercado de ações tem que se sujeitar às intempéries, oras!

No mis, a volta para casa estava escutando rádio e o locutor, apropriadamente, lembrava que no período "pré-colombino" os povos nativos tomariam muito em sério a ocorrência de um terreoto no exato momento da troca de poder. Certamente, considerariam isso um importante pressagio. Se positivo ou negativo - indagava o locutor - caberia aos ouvintes decidir.

Depois do Terremoto

Depois de escapulir para São Paulo, bem a tempo de me salvar do quinto terremoto mais forte da história voltei para Santiago. Aliás, isso de terremoto mais forte da história é balela já que a medição de terremotos vem sendo feita apenas nos últimos 100 ou 200 anos, período geologicamente irrelevante, mas enfim: voltei.

As “novidades” começaram no aeroporto. O avião pousou e levou um baita tempo até que pudéssemos desembarcar. Isso acontece porque, como o prédio está interditado, primeiro as malas são enfileiradas na pista, ao lado do avião, e só aí os funcionários liberam as pessoas para que busquem seus pertences. Depois, você arrasta sua mala através de uma tenda de campanha onde está a imigração (cada funcionário com seu note) e depois o raio-x.

Uma vez liberado dos trâmites normais, saímos por uma passagem ao ar livre onde estão enfileirados os caras que fazem serviço oficial de taxi e van. No final da passagem ficam os parentes e amigos que aguardam seus entes queridos e o estacionamento.

No caminho do aeroporto para a cidade, pegamos algum trânsito graças a algumas obras que estão sendo feitas na estrada. Em certas partes o tremor abriu fendas que já estão sendo reparadas. Afora isso, não notei grandes diferenças.

O mesmo se pode dizer sobre o bairro onde moro. Por aqui, procurar marcas do terremoto é como um jogo de sete erros. Você olha e pensa: esse portãozinho estava assim zoadinho? E essa janela? Só quando fui visitar uma amiga do Carlos é que vi uma casa parcialmente despencada, com os tijolinhos na calçada, cercada por aquela fita amarela de polícia. Também perto daqui, a torre de uma igreja caiu.

A verdade é que, de modo geral, os prédios resistiram bem. Vejamos os detalhes.

Apesar de o aeroporto ter sido detonado, os prédios de Santiago, em geral, resistiram bravamente. Uma amiga do Carlos, que mora no vigésimo terceiro andar (ou algo assim) de um prédio bem antigo, por exemplo, perdeu a geladeira e o microondas, mas sua casa está intacta.

A história é que desde os anos 60, quando aqui se registrou o pior de todos os terremotos da história (relativamente), o país criou regras muito específicas para a construção civil e tais regras vêm sendo seguidas a risca.

O conceito de um prédio anti-sísmico, cabe dizer, é que ele não pode cair durante o evento. Isso não significa, no entanto, que após o terremoto ele siga sendo habitável. É possível que falhas na estrutura acabem por condenar o prédio, mas, pelo menos, todo mundo tem tempo de fugir.

Atualmente, há por volta 40 prédios interditados e um caiu. Pensando bem, até que não é uma má marca. Evidentemente, nessa estatística não entram construções antigas. Várias casas, igrejas e outros prédios caíram, mas não eram anti-sísmicos. Esses 40 são prédios novos, altos e “mudernos”.

Em princípio, portanto, verifica-se que as tais regras funcionam, mas há um detalhe interessante. Em 2005, as construtoras estavam que estavam reclamando. A fiscalização das obras, diziam, era muito demorada, burocrática e isso encarecia as obras, etc. Fizeram então uma lei que permitia que as próprias construtoras fiscalizassem o seguimento das normas de construção.

Bem. O prédio que caiu – aquele que saiu em todos os jornais – foi feito depois de 2005. Os prédios interditados? Depois de 2005. Mas pode ser só coincidência, claro. E também há outros fatores.

Em Santiago, a zona mais afetada foi a norponiente. Essa parte fica já na saída da cidade e, se tivesse que comparar, poderia dizer que é uma espécie de Alphaville comercial. Nesse setor existem algumas residências de alto-padrão (poucas, na verdade) e um centro empresarial, onde, além de prédios de escritório, há centros de convenções, hotéis, shopping.

Ali fica o prédio da NEC, onde o Carlos trabalhou e onde diversos amigos dele ainda trabalham. Ali, a casa caiu. A galera da NEC está trabalhando em sistema home office enquanto a NEC busca um lugar para se mudar. Simplesmente, uma VIGA caiu na sala do gerente geral. Fosse no Brasil, iam dizer que era macumba, olho gordo, mas aqui não tem muito disso. O hotel Radisson está interditado e parece que vai ser demolido. O shopping que ficava ali despencou inteiro.

Deve ter gente indo a pé até Aparecida para agradecer que o terremoto foi sábado 3:30 da madrugada e não 3:30 da tarde.

Aliás, foi nessa região que uma estrada despencou também.

Curiosamente, nenhum jornal daqui noticia qualquer desses desastres (fora o caso da estrada). Ficamos sabendo pelo povo da NEC.

Aparentemente, o terreno ali é mais instável, mas até aí, depois que uma VIGA cai em cima da sua mesa, quem é que quer saber.

Outra história que ninguém divulga seriam a dos supostos saqueadores que apareceram mortos na pracinha de uma das cidades mais atingidas no sul. Ninguém sabe quem foi, nem quer muito saber. Do jeito que a história apareceu também sumiu a tal ponto, que eu nem sei se é verdade ou boato.

Já em casa, está tudo tranqüilo.

Quando chegamos, minha cunhada e minha sogra já tinham dado uma mega arrumada na casa deixando pouquíssima zona para nós. Sei que os livros (todos) caíram das estantes, os porta-retratos voaram e a cama foi quase parar no banheiro. Na cozinha, muitos copos e as xicrinhas de café quebraram, o macarrão pulou de dentro do armário (sei porque estava colocado em lugar diferente do que eu costumo guardar) e algumas outras coisas balançaram,mas já estava tudo arreglado quando chegamos. Só o armário estava do jeito que o tremor deixou.

Em casa temos um closet de modo que o armário, propriamente dito, não tem porta (só a porta que separa o closet do quarto). Quando eu cheguei, a porta mal abria. A caixa de moedas do Carlos tinha voado e espalhado moedinhas para todos os lados. As roupas estavam todas espalhadas já que as prateleiras deslizaram pelo trilho e caíram. Pelo chão havia parafusos e casinhas do Banco Imobiliário. O secador de cabelo estava dentro do cesto de roupa suja. Só as roupas dos cabides resistiram.

No fim, até que foi bom. Fiz uma faxina daquelas de tirar pó de dentro das gavetas e ficou um brinco.

Mas o mais incrível foi o centro de entretenimento: o computador com 3 teras de informação. Embora o bichinho tenha caído de cabeça – a ponto de abrir um buraquinho no chão – ele sobreviveu (e as informações também). Computador Highlander é outra coisa. Agora ele vai morar no chão mesmo.


No mais, ficaram umas rachaduras pela casa. Elas aparecem exatamente no limite entre o concreto da estrutura e a parede mole (ou sei lá como se chama isso) e não afetam a estabilidade do prédio.


No fim das contas, o que mais matou e destruiu foi mesmo a tsunami.

Tá uma discussão doida, pois houve muita falha de comunicação. Ninguém avisou da tsumani, não tinha plano de fuga bem feito, nenhuma preparação. Daí ficou a merda mesmo.

Você vê uma série de histórias de gente que poderia ter se salvado, mas ficou lá, sem fazer nada, até a onda invadir e levar tudo. Tem história de tudo quanto é jeito.

A pior é da menina que avisou a família que estava acampando na praia e ninguém deu bola para a coitada. Ela subiu numa árvore e a família inteira morreu.

Tem também a pequena heroína de Juan Fernández (a ilha onde ficou o Robson Crusoé) que sozinha correu pela noite e tocou uma sineta avisando as pessoas do tsunami.

O que ouço muito dizer é que mais que perdas materiais o tremor afetou o orgulho já que o país não estaria tão preparado para o tremor quanto pensava.

O pior é que eu estava escrevendo e assistindo a posse do Piñera e começou a tremer de novo. Vou fazer outro post.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Eleições

Voltei a Santiago e ao blog também.

Como não poderia deixar de ser, o tema deste post será as eleições presidenciais e legislativas que ocorreram ontem (primeiro turno).

Para não correr o risco de “chover no molhado” vou poupá-los de passar as informações que todos podem ver no UOL e similares, até porque isso seria muito chato. O post é sim para tratar de curiosidades sobre as eleições então vamos a elas.

O primeiro tópico – eu achei demais – é que as zonas eleitorais aqui são divididas por sexo. Aqui ao lado de casa, por exemplo, tem um colégio onde votam mulheres e só mulheres. O Carlos, por sua vez, tem que ir votar em outra parte, distante umas dez quadras daqui, porque lá é lugar de homem.

A desculpa oficial para esse clube da luluzinha/bolinha eleitoral é que, no passado, só homens votavam. Assim, quando foi aprovado o voto feminino, para não sobrelotar as zonas eleitorais existentes, foram abertas novas zonas para as mulheres.

Acho uma desculpa muito furada! Em todos os lugares do mundo (ou quase todos) o direito a voto das mulheres sempre foi concedido num segundo momento da história e nem por isso as zonas eleitorais são divididas por sexo, salvo talvez no Afeganistão e Arábia Saudita, sei lá (nem sei, posso estar levantando falso).

Outra coisa estranha é a forma de apuração. Em vez de pegar a urna e levar para algum lugar, assim que termina o horário de votação, eles simplesmente abrem a urna ali mesmo e contam na hora.

Por causa disso as ruas em volta das zonas eleitorais ficam fechadas até o fim da apuração local.

Essa prática deve ser boa para direcionar a campanha, já que fica fácil saber como as mulheres de Providência votam, se elas preferem candidatos bonitões ou com fama de bons moços e assim por diante.

Outra coisa que chama a atenção é que pelo menos a metade dos amigos do Carlos simplesmente não vota. Aliás, segundo o Carlos, só tem velho votando.

O pior é que você conversa com as pessoas e elas dizem: “ah, seu fosse votar votava no fulano”. Então por que diabos não vota!

Seria diferente se os caras dissessem: “ah, para mim tanto faz, político é tudo igual, tô cagando!”

Nesse caso eu pensaria: ok, o cara não dá a mínina e por isso não vota. Está certo. Mas se você se dá ao trabalho de pensar e achar que tem um cara que é melhor que o outro por que então não vota, oras!

Observando, cheguei à conclusão que é para poder reclamar sem ter que assumir um compromisso e, se depois o cara der uma mancada, tipo declarar guerra ao Peru, ou roubar muito milhões de pesos, ou mandar matar o amante da mulher, a pessoa sempre pode dizer: bem, eu não votei nele (quem quer que ele seja). É cômodo e meio besta.

Antes eu até tinha dúvidas sobre o voto obrigatório, mas agora não tenho mais.

Agora é esperar o segundo turno e ver o que vai rolar. Para variar, ficou um cara de direita: Piñera; e um cara da concertación: Frei.

O divertido é que esse Piñera está querendo dar uma nova “cara” à direita chilena.

Vejam bem, ser de direita aqui significa ser enfaticamente contra leis “super atuais” locais como, por exemplo, o divórcio e a equiparação de direitos entre os filhos nascidos fora do casamento e filhos legítimos sob o argumento de que esse será o fim da sociedade civilizada. Sim, porque com o divórcio em voga e com a garantia de direitos para os filhos bastardos, quem agora vai querer casar e se unir perante os sagrados laços do matrimônio?

Parece exagero, mas o que tem de carta nos jornais de gente reclamando nesses termos é de morrer de rir de desgosto.

Isso para não falar no canal de TV católico que simplesmente se recusa!!! a passar propagandas governamentais que fazem campanha para o uso de camisinha!!!!

Daí vem esse Piñera e coloca na campanha um casal gay. Uma coisa tipo: a gente é reaça, mas gosta de gay. Ok, só que isso deixou tradicionais apoiadores da direita de cabelo em pé.

Teve um padre que escreveu esbravejando para o jornal dizendo que uma coisa é ser tolerante, mas outra é estimular a união civil entre pessoas do mesmo sexo, coisa que, segundo palavras dele, “nem no direito romano era aceito”.

Ahn.... desculpa, por romanos você quer dizer aqueles caras que jogavam cristãos aos leões? Então tá.

Agora é ver o que vai dar no segundo turno. A verdade é que ninguém agüenta mais a concertación que há vinte anos está no poder, mas também não vejo esse Piñera como um cara super pop.

Por fim, a coisa mais fantástica que eu descobri é que o George Contanza foi reeleito deputado por Santiago. Vejam:


Fala sério, põe um óculos no cara e veja o que acontece!

Imagina a cena, você está andando pela rua e dá de cara com uma propaganda política do George Contanza pregada numa árvore!

O Seinfeld virou abelha, a Eleine virou Christine e o George virou deputado - e foi reeleito!

Devo dizer que embora eu tenha descoberto isso sozinha, acabei sabendo que os caras do “The Clinic” – uma revista legal daqui – já tinham chegado à mesma conclusão.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Fernanda Young, hello!!!

Um dos 1o patéticos motivos divulgados por Fernanda Young para justificar sua aparição na Playboy era algo como "salvar o erotismo da breguice, vulgaridade", ou coisa que o valha.

Aí a pessoa - que se acha a salvação do erotismo - vai no show da Dita Von Teese com um pinto pindurado no pescoço!



Vejam bem, eu não tenho nada contra pintos, muito pelo contrário, mas para quem quer salvar o erotismo da breguice/vulgaridade/etc. podia ter escolhido um símbolo, vamos dizer assim, menos caderno da sexta série.

Em suma, a mulher quer ser a Dita mas tá mais para Unidos do Caralho a Quatro.












sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Romanza

O Romanza foi fechado DE NOVO no fim de semana do GP.

Acabou a concorrência do Photo!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Uma terra sem INBEV (ou ANBEV)

Tá, é claro que o título é um exagero. Aqui no Chile, como em qualquer lugar do mundo, se você for ao supermercado/bar vai encontrar disponíveis toneladas de Brahma, Stella Artois e Budweiser.

No entanto, até o momento, a INBEV não adquiriu nenhuma cervejaria nacional local e, talvez, o Chile não seja um mercado tão interessante a ponto de se fazer um investimento desse porte, afinal o país inteiro tem a população da grande São Paulo e o pessoal não é, nem de longe, tão cervejeiro quanto no Brasil. Verdade, nas festas locais até tem cerveja, mas é uma bebida quase coadjuvante ao lado do pisco-sour, piscola, vodka com tônica e, claro, vinho.

O resultado disso é que, no Chile, qualquer bar tem uma grande variedade de cervejas e chopes de diferentes marcas. Ademais, qualquer lugar que tiver, por exemplo, chope Stella também terá Coca-Cola no cardápio. Isso parece meio óbvio e bastante inútil, mas faz diferença quando a pessoa está de ressaquinha e quer tomar uma Coca (e não Pepsi) antes de voltar a beber.

Ademais, cervejarias artesanais (artesanais numas né, mas tudo bem) ainda existem e persistem e usam água da cordilheira o que não pode ser ruim.

Antes de qualquer coisa, já vou adiantando que não tenho nada contra as cervejas da INBEV (exceto a Bud que eu acho muito ruim e só tomo nos EUA pq é, normalmente, a única bebida que dá para tomar sem encarar uma tremenda ressaca bancária), mas é bom variar e ter opções diferentes nunca foi problema para ninguém.

Também já vou anunciando que não sou gourmet e não entendo picas de cerveja. Há cervejas que eu gosto e cervejas que eu não gosto, simples assim. Dito isso, vamos as brejas.

Bem, a cerveja local mais pop se chama Escudo e é horrível e barata. Na verdade, acho que a cerveja se chama Escudo porque no dia seguinte a pessoa se sente como se tivesse levado vários golpes de machado. Claro que há outras opções.

A mais popular, dentre as cervejarias artesanais chilenas, é a Kunstmann de Valdívia. Das variedades que já tomei, achei quase todas boas, bem saborosas e diferentes entre si. E quando digo diferentes, é diferente mesmo (não como a Original é diferente da Serra Malte, sei lá).

A Kunstmann Lager, por ex., é bem clarinha (ou, mais técnica e espanholamente falando rubio dorado), grau 4, ótima para tomar por horas e horas.

Já a Torobayo Ale é mais amarelona, um pouco mais forte e perfumada. Boa também.

Tem ainda a Gran Torobayo mais escurona e avermelhada (ou ambar rojizo oscuro) mais forte (grau 7,5). Para dizer a verdade, essa eu nunca tomei, mas tem boa fama. Está na minha lista e preciso remediar isso logo.

De fato, das cervejas Torobayo, a única que tomei e não gostei foi a miel. E você deve estar se perguntando: miel? Pois é. Logo que cheguei aqui, fui a um bar e lá pelas tantas, acabou a Torobayo Ale e a Lager. A garçonete então se vira para mim e diz: só tem a miel. Eu podia ter pedido uma Stella, uma Corona, uma Brahma, uma Bud, mas pedi a tal miel.

Na minha cabeça já meio bêbada eu pensei: ah miel? Eu não devo ter entendido direito, eu nunca entendo nada que esse povo fala.

Pouco depois, a garçonete volta trazendo uma garrafinha de cerveja com uma ABELHA GIGANTE desenha no rótolo. Sim, isso mesmo, uma abelha. Duvidam?

Não sei de quem foi essa idéia, mas sei que não deu certo.

Outra cervejaria independente local (para muitos, incluindo o Carlos, melhor até que a Kunstmann) e que faz cervejas bem boas é a Kross. No caso, já provei a Pilsner (amarguinha e amarelona) e, de acordo com o fabricante, feitas com lúpulos checos e a Golden Ale também muito saborosa.

Além de boas, o logotipo da cerveja é um homenzinho, com calças boca-de-sino correndo com um copinho de chope na mão muito bonitinho e que me faz sempre achar que, em algum lugar, deve estar rolando uma cervejada muito louca.

Bem, eu sou o tipo de pessoa que quando provo algo e gosto, acabo me repetindo. Assim, acho que ainda há outras cervejas locais boas que preciso conhecer. Eventualmente, atualizo esse post.

E por fim, preciso fazer uma menção honrosa a Paceña, uma cerveja Boliviana que é, para mim, a cerveja mais leve que já provei na vida, muito boa para o calorão. Viciei completamente.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Crise na Receita Federal

Esse é mais um destes posts sem nenhuma relevância, mas eu não aguento mais escutar tanta inutilidade.

Agora criaram uma tal de crise SEM PRECEDENTES na Receita Federal. Como esse tema de certa forma me toca, fico aqui com meus botões arrancando os meus cabelos cada vez que leio qualquer besteira sobre esse tema.

Tinha até pensando em comentar, mas vão dizer que eu sou tendenciosa. Até que hoje sai publicada enrevista com o Everardo Maciel no UOL (que foi o Secretário da Receita Federal durante o governo Fernando Henrique) e que diz o que tem para ser dito.

Como no Brasil o povo lê jornal igual quem houve previsão de astrólogo (só dá bola para o que quer ouvir) não custa reprisar e divulgar.

Fiscalização foi desarticulada com Lina, diz Everardo Maciel

YGOR SALLES
da Folha Online

O ex-secretário da Receita Federal no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, Everardo Maciel, disse nesta quarta-feira em entrevista à Folha Online que a fiscalização dentro do órgão foi "desarticulada" durante a gestão de Lina Maria Vieira, que deixou o cargo no mês passado pouco menos de um ano depois de substituir Jorge Rachid.

Segundo ele, as principais metas de fiscalização e planos de ação fiscal "não existem mais". Maciel ainda desmentiu a tese de que o foco sobre as grandes empresas foi uma marca na gestão de Lina, como defendem os funcionários da Receita que deixaram cargos de confiança. Segundo reportagem da Folha, cerca de 60 pessoas em postos de chefia, distribuídas em 5 das 10 superintendências regionais, avisaram seus superiores que deixarão suas funções.

Mais sete servidores da Receita no RS pediram para deixar cargos, diz Unafisco
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Mantega diz que é "balela" acusação de que Receita não fiscaliza grandes empresas

"Isso é falso. Quem criou a delegacia de fiscalização dos bancos fui eu. O criador do programa de fiscalização de grandes contribuintes fui eu. Então isso não é verdade. Era preciso medir com precisão, e não como foi divulgado com os dados de São Paulo, quantos grandes contribuintes foram fiscalizados no primeiro semestre comparado com semestres anteriores. Aí vamos ter uma surpresa", disse.

Maciel ainda rejeitou a tese de que o cargo de secretário da Receita deveria ter mandatos --como ocorre, por exemplo, com as agências reguladoras.

"É um cargo como o de secretário do Tesouro, como o de presidente do Banco Central, ou de presidente do Banco do Brasil. Se você conferir mandato, começa a distanciar o trabalho destas instituições da política geral de governo", explicou.

Veja os principais trechos da entrevista:

Folha Online - Como você observa esse movimento de cargos na Receita? É normal após mudanças na chefia?

Everardo Maciel - Quando a Lina assumiu, mudou um número enorme de pessoas, e essas pessoas que foram nomeadas por ela em substituição às outras agora pediram para sair, algumas em caráter irrevogável (risos). Essa mudança é normal. Cada pessoa tem um estilo, e essas posições são cargos de confiança por parte de quem nomeia e é exercício voluntariamente por quem exerce.

Folha Online - Pelo que o sr. conhece, haverá mais gente pedindo para sair de cargos de confiança ou os que já saíram são os que Lina mudou antes?

Maciel - Não, a Lina mudou muito mais. Mas acho que não há quem possa fazer essa avaliação. O ato de sair é pessoal. Até porque várias pessoas que foram nomeadas por ela decidiram ficar.

Folha Online - A Lina é uma ruptura de um estilo de fiscalização que vinha desde o senhor e passou pelo Jorge Rachid, mudando o foco para as grandes empresas?

Maciel - Isso é falso. Quem criou a delegacia de fiscalização dos bancos fui eu. O criador do programa de fiscalização de grandes contribuintes fui eu. Então isso não é verdade. Era preciso medir com precisão, e não como foi divulgado com os dados de São Paulo, quantos grandes contribuintes foram fiscalizados no primeiro semestre comparado com semestres anteriores. Aí vamos ter uma surpresa. Então isso vai ser um factóide.

Folha Online - Neste caso, o que mudou de fato na gestão da Lina?

Maciel - O que mudou é que a fiscalização foi desarticulada. Todos os projetos de metas de fiscalização e de planejamentos de ação fiscal não existem mais. A tecnologia está desarticulada. Pela primeira vez em muitos anos, uma declaração de informações teve uma data de entrega adiada. Sabe qual? A dos grandes contribuintes. A data era 30 de junho, agora marcaram para 16 de outubro. Como vai fazer a fiscalização se nem a declaração eles têm?

Folha Online - Quando há essas mudanças de chefia, atrapalha quanto o andamento das fiscalizações?

Maciel - Isso é difícil [de calcular], porque é uma questão profundamente pessoal. Depende da qualidade profissional de quem é substituído e do substituto, o grau de capacidade de trabalho e de liderança de um e de outro. Mas isso ocorre em qualquer instituição.

Folha Online - Na sua opinião, o cargo de secretário da Receita deveria ser blindado de pressões políticas através, por exemplo, de mandatos?

Maciel - Acho que não tem cabimento. É um cargo como o de secretário do Tesouro, como o de presidente do Banco Central, ou de presidente do Banco do Brasil. Se você conferir mandato, começa a distanciar o trabalho destas instituições da política geral de governo.

Folha Online - Então como poderia ser definido um limite do que é diretriz política ou politicagem?

Maciel - Políticas de fiscalização são construídas através de informações vindas do tratamento de dados, cada vez mais isso fica no plano da inteligência fiscal, e não no plano de atos voluntaristas. Eu não conheço nenhum ato que envolvesse proteção ou perseguição a quem quer que seja. Isso é cada vez mais institucionalizado.