segunda-feira, 22 de junho de 2009

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Não estou no Chile, então vou voltar a comentar notícias do Brasil. Vejam bem isso:

"Comissão aprova projeto que unifica fusos horários do país
Texto atende a lobby das TVs, que são obrigadas a respeitar fusos locais na programação. Para neurologista, mudança causará sono nas pessoas que terão de adiantar o relógio para se adequar ao horário de Brasília DA SUCURSAL DE BRASÍLIA DA REDAÇÃO
Projeto de lei aprovado ontem na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado unifica os três fusos horários do Brasil, ordenando que todo o país seja regido pelo horário de Brasília.O projeto ainda será analisado pela Comissão de Relações Exteriores. Depois, pode ser votado no plenário do Senado. Se aprovado, segue para tramitação na Câmara. Poderá virar lei se for aprovado e sancionado pelo presidente Lula.Um dos argumentos do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), autor do projeto, é que a unificação dos fusos facilitará as transmissões de TV e rádio, que em 2007 trabalharam para reduzir de quatro para três os fusos horários no país.A eventual unificação dos fusos atende ao lobby das TVs. Em 2007, uma portaria federal obrigou as emissoras a respeitarem os fusos do país na veiculação dos programas. Uma novela com classificação indicativa para 14 anos, por exemplo, não pode ser levada ao ar antes das 21h, seja no horário de Brasília ou do Acre (uma hora atrasado em relação à capital).Para as emissoras, porém, é comercialmente mais vantajoso unificar a programação. O lobby das TVs é capitaneado pela Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV), entidade que congrega Globo, SBT e Record. Na justificativa do projeto, Arthur Virgílio argumenta que o atraso de uma hora em Estados do Norte e do Centro-Oeste dificulta a integração econômica e causa "descompasso no ritmo de progresso nas comunicações e nos transportes".Ainda segundo a justificativa do projeto, um único fuso horário "se justifica ante a unificação e informatização do sistema financeiro, o desenvolvimento dos transportes aéreos e das comunicações via satélite". Danos ao sono Segundo o neurologista Flávio Alóe, do centro de sono do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de SP, a unificação causará sono nas pessoas que terão de adiantar o relógio ao horário de Brasília."Anos atrás, estudos no Canadá mostraram que, nos dias após a mudança de horário, aumentavam os acidentes relacionados a dormir no volante. "Os fusos brasileiros foram definidos em 1913: o Acre ficou cinco horas atrás do meridiano de Greenwich (que passa pela Inglaterra); AM, MT, MS, RO e RR ficaram quatro horas atrás; o resto do país ficou com três horas de atraso; e Fernando de Noronha, com duas horas.Em abril do ano passado, o fuso do Acre foi incorporado ao de MT, MS, AM, RO e RR."

Alguém já viu uma coisa mais ridícula que essa proposta?!

Já, no caso, a preocupação do reporter de que, nos dias após a mudança de fuso, as pessoas podem ficar com sono e 'bater o carro' hahahahahahha

Gente, sabem por que, quando em São Paulo são seis da manhã em Manaus são cinco? Porque tá de noite...

E essa de que um único fuso horário "se justifica ante a unificação e informatização do sistema financeiro, o desenvolvimento dos transportes aéreos e das comunicações via satélite". Então por que a gente não unifica o fuso horário do mundo inteiro? Tudo bem que uma parte ia ter que trabalhar durante a noite mas e daí? Já pensou como seria melhor para as transmissões da Copa do Mundo no Japão e das Olimpíadas na Austrália, por exemplo! Nunca mais fórmula um as nove da manhã, nem jogo de tenis de madrugada. E todas as bolsas de valores do mundo funcionando juntas que espetáculo!!! Já pensou!? Além do que seria muito mais prático para fazer conference call com clientes gringos! Só tem vantagem!!!

É cada uma que aparece!!!

Em tempo, existe um país que faz isso (além da Holanda e outros locais diminutos que não contam): a China!

Em tempo, a distância entre a Serra do Divisor (Leste) até Ponta do Seixas (Oeste) é de 4.325 km. A distância entre Nova York e São Francisco é de 4.133 km. Nos EUA são 5 fusos (sem contar Alasca e Havaí).

quinta-feira, 4 de junho de 2009

O otimista e o positivista

Uma vez, há alguns anos, entrei num elevador e por pura falta de opção – além, claro, de curiosidade – comecei a escutar a conversa de três meninas próximas a mim. Uma terminava de contar uma história e se queixava muito, ao que a outra respondeu: “Não se preocupe tanto, vai dar tudo certo. Você precisa ser mais positivista.”

Eu adoro essa história. Já contei para meio mundo e sempre que posso, repito.

Pois bem, nos últimos dias tenho comentado muito com o Luiz sobre as imbecilidades cometidas pelos jornais na cobertura da queda do avião (inclusive a fantástica e delicada manchete no Estadão).

Para melhorar, hoje, tentando ler matérias sobre o discurso do Obama no Iraque, me deparo com essa pérola:

“Em declarações à emissoras (sic.)de TV locais, o porta-voz do governo, Ali al Dabbagh, pediu ao líder americano que respeite os compromissos que os EUA têm com seu país e considerou que a parte dedicada ao Iraque reflete o "positivismo" da Casa Branca no tema.”

Bem, após ler o texto acima penso: que diabos terá Ali Babá achado do discurso? Será que, finalmente, sou eu que não sei o que significa positivismo? Será que o uso da palavra positivismo (e entre aspas ainda) tem algum sentido oculto cujo significado profundo eu não alcanço?

Lá vou eu ao Houaiss (antes que alguém comente acho um péssimo dicionário, mas é o único que eu tenho aqui) e leio:

“Acepções
substantivo masculino

1 estado ou qualidade de positivo; caráter seguro, definitivo
2 Rubrica: filosofia.
sistema criado por Auguste Comte (1798-1857), e desenvolvido por inúmeros epígonos, que se propõe a ordenar as ciências experimentais, considerando-as o modelo por excelência do conhecimento humano, em detrimento das especulações metafísicas ou teológicas; filosofia positiva, comtismo
3 Derivação: por extensão de sentido. Rubrica: filosofia.
em sentido lato, cada uma das doutrinas influenciadas pelo comtismo nos sec. XIX e XX, caracterizadas pelo cientificismo, metodologia quantitativa e hostilidade ao idealismo
4 Rubrica: lingüística.
atitude de alguns lingüistas que se limitam a considerar os fatos da linguagem como um conjunto de fenômenos a serem descritos, tomados independentemente dos falantes que os empregam”

Hum... continuo confusa.

Saí, então, caçando sites gringos para ver se descubro o que será que o porta-voz iraquiano achou do discurso e encontro o seguinte:

Ali al-Dabbagh, the Iraqi government spokesperson, said the speech was historic and important and reflected a positive direction for the new administration and it is a new start."

Num dicionário Cambridge que achei na net positive pode ser definido como hopeful ou confident, or giving cause for hope and confidence em uma tradução simples uma atitude positiva. Ex.:
On a more positive note, we're seeing signs that the housing market is picking up.
The past ten years have seen some very positive developments in East-West relations.
There was a very positive response to our new design - people seemed very pleased with it.

Assim, numa tradução bem porca temos mais ou menos o seguinte:

“Foi um discurso histórico e importante e reflete a orientação mais otimista/esperançosa da nova administração e é um recomeço”

Como o comentário acima traduzido não tem nada a ver com o que está sendo dito pelo jornal brasileiro pode ser que o repórter que escreveu a matéria estivesse se referindo a algum outro ponto do discurso feito pelo Sr. Ali Babá. Pode ser...

Eu até poderia procurar mais mas não estou com vontade. O caso é que, no fundo no fundo, acho mesmo é que a mina do elevador está fazendo escola. Em breve, vou contar a historinha que iniciou esse post e ninguém mais vai achar graça.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Mercado Imobiliário

Seguindo, ontem, além da visita ao La Moneda, fui conhecer o apartamento novo que a Val comprou para ir morar com seu marido. Em resumo, o mercado imobiliário em SP é uma bomba. Vejam se não tenho razão.
O apartamento fica num dos bairros mais valorizados da cidade (Vitacura). Está perto da sede da CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe da ONU), de várias embaixadas (inclusive é vizinho de muro, não muito alto, da embaixada de Cuba, ou seja, apresenta ótimos planos de fuga) e da Avenida Alonso de Córdoba que é a Oscar Freire local (vai vendo aonde vai se meter a embaixada de Cuba).
Embora seja um apartamento de primeiro andar, todas as janelas estão orientadas para um pátio do próprio edifício e a coisa mais próxima que existe à vista são árvores (nada mal).
O apto tem 91 m², dois quatros, cozinha de bom tamanho para prédios novos, área de serviço pequena (para os padrões brasileiros, normal aqui) uma sala boa, uma varanda bem grande e contínua que vai da sala até o segundo quatro, dois dormitórios (sendo uma suíte) e mais um banheiro comun.
Até aí, normal. O que chama – e muito – a atenção é o acabamento.
Primeiro, o apartamento é entregue com carpete de madeira na sala, azulejos nos banheiros e cozinha, carpete nos quatros (o lugar é frio), etc. sem nenhum custo adicional. Isso nem seria tão espantoso já que, verdadeira aberração, é esse sistema brasileiro que cobra o azulejo à parte, mas não é só.
O banheiro, por exemplo, é entregue completo! E por completo eu quero dizer todas as louças e metais, inclusive banheira (nos dois banheiros), armários embaixo da pia e, pasmem, espelhos!!!!
Além disso, a casa está repleta de armários embutidos PROFUNDOS. O apto. tem armários nos dois quartos, no corredor e ao lado da entrada.
A cozinha vem tão completa quanto o banheiro. De verdade, só faltam geladeira e máquina de lavar pratos, já que o fogão elétrico vem instaladoooooooo. A cozinha planejada também é entregue pela construtora, ou seja, o ap já vem de fábrica com armários (suspensos e sob a pia), gaveteiro, balcão e uma pia dupla que faria a Kika muito feliz (sabe para não misturar louça com gordura da sem gordura). E a área de serviço já tem um tanquezinho, mais espaço para a máquina.
Os dois quartos e a sala dão para uma varanda contínua e bem confortável. O vidro que separa o ambiente interno da sala é duplo. Há calefação nos dois dormitórios.
Não vou dizer aqui quanto ela pagou, pois seria indelicado, mas posso dizer não saiu nada caro (quanto mais com toda a bagulhada que vem de fábrica). Quem quiser saber o preço me pergunta depois.
A única falha (que não é um problema do apto, mas do país) e que não há ralos. É isso, no Chile, ainda não inventaram o ralo!
Notei isso logo a primeira vez que lavei o banheiro daqui. Joguei um monte de água no chão e pimba, cadê a porra do ralo? Agora já estou esperta. Lavar banheiro, só com a escova mágica.
Não sei se é por culpa dos terremotos ou se é uma cultura que não desenvolveu o conceito do ralo e ponto, mas que esse é um conceito perdido isso é.

domingo, 31 de maio de 2009

La Moneda

Hoje foi dia do Monumento Nacional, que é uma espécie de virada cultural das instituições. Todos os prédios públicos ficam inteiramente – ou quase – abertos à visitação pública.

Ministérios, Congresso, Palácio La Moneda... todos os prédios públicos podem ser percorridos e visitados por quem quer que seja. Claro, sempre tem uma fila, mas é percorrível.

Fui visitar o La Moneda. Vi todas as salas (inclusive o local onde morreu o Allende), os gabinetes, salões oficiais, etc. No que tange ao Allende, como a intenção é recuperar e manter a memória do país, eles restauraram o palácio tentando manter suas características de época (depois posto as fotos).

Agora, o que eu achei mais engraçadinho foi o setor da primeira-dama. O Chile, como qualquer país do mundo, tem a figura institucional da primeira-dama que, ao longo da história, sempre esteve encarregada de certas atividades. Quando a Bachelet foi eleita apareceu o problema: quem agora vai realizar as atividades da primeira-dama?

Para resolver o caso, logo após a eleição, Bachelet criou a Diretoria da Área Sócio-Cultural da Presidência e indicou uma senhora chamada Adriana Delpiano para o cargo. A senhora, no caso, era uma assistente social com muita experiência em política pública etc., e, também, amiga da Bachelet. Assim, ficou conhecida como primeira comadre.

Hoje, o cargo é ocupado por outra pessoa chamada María Eugenia Hirmas, mas o nome (primeira-comadre) ficou. Adorei .


quinta-feira, 28 de maio de 2009

Ou Isto ou Aquilo.

Hoje estava lendo a Folha de São Paulo (ô dia besta) e me deparo com a seguinte notícia:

“O governo de São Paulo enviou a alunos de terceira série (faixa etária de nove anos) um livro feito para adolescentes, que possui frases como "nunca ame ninguém. Estupre".
A coletânea de poesias faz parte do mesmo programa de melhoria da alfabetização que teve um livro recolhido por conter palavrões e expressões de conotação sexual: "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol", também distribuída para a terceira série.
A nova obra, "Poesia do Dia -Poetas de Hoje para Leitores de Agora", foi enviada às escolas há cerca de duas semanas para ser usada como material de apoio. Foram distribuídos 1.333 exemplares.
"Não é para crianças de nove anos. São várias ironias, que elas não entendem", afirmou o escritor Joca Reiners Terron, autor do poema mais criticado por professores da rede, chamado "Manual de Auto-Ajuda para Supervilões".
Alguns dos versos são "Tome drogas, pois é sempre aconselhável ver o panorama do alto"; e "Odeie. Assim, por esporte".
"Espero que o Serra [governador José Serra] não ache o texto um horror, como ele disse do outro livro. Horror é quem escolhe essas obras para crianças", disse Terron.
Em nota, a direção da Abril Educação (responsável pela Ática) afirma que o livro é recomendado para adolescentes de 13 anos, "indicação reforçada na contracapa, na apresentação e no suplemento ao professor".
Após questionamento da Folha, a Secretaria da Educação da gestão José Serra (PSDB) decidiu ontem retirar os livros das salas de aula. Os exemplares, no entanto, permanecerão nas escolas, para consulta de alunos mais velhos.
O entendimento é que os assuntos do poema devem ser abordados na escola, mas com supervisão de um especialista.
A secretaria não esclareceu como é feita a escolha dos livros. A sindicância aberta para apurar o caso do outro livro ainda não foi concluída.

Críticas
Professor da Faculdade de Educação da USP, Vitor Paro afirma que a escolha do livro para crianças de nove anos "é produto da incompetência e ignorância do governo".
"Por que os livros só foram retirados após o jornalista questionar? A análise não deveria ter sido feita antes?", diz.
A coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp, Angela Soligo, classifica como "um horror" o poema. "Tem uma ironia que talvez só o adulto entenda. É totalmente desnecessário para uma escola."
"Já é o segundo caso. Os professores ficam inseguros com o material", disse ela.”

Antes de sair xingando - e evitando seguir a linha fácil do “oh que absurdo” - resolvi, primeiramente, dar um Google no poeta (que eu não conhecia, confesso sou muito ignorante em termos de literatura moderna) até porque, os comentários atribuídos a ele pela Folha mostram que se trata de um sujeito ok. A biografia no wikipedia é a seguinte:

“Joca Reiners Terron (Cuiabá, 9 de fevereiro de 1968) é um poeta, prosador, artista gráfico e editor brasileiro. Radicado em São Paulo desde 1995, Joca estudou Arquitetura na UFRJ e formou-se em Desenho Industrial na UNESP. Publicou os livros de poemas Eletroencefalodrama (1998) e Animal anônimo (2002) e os de prosa Não há nada lá (2001), Hotel Hell (2003), Curva de Rio Sujo (2004), e Sonho interrompido por guilhotina (2006). Foi editor da Ciência do Acidente. Seus textos integram diversas antologias nacionais e estrangeiras[carece de fontes?], como Na virada do século - poesia de invenção do Brasil (2002), editada por Frederico Barbosa e Claudio Daniel, Rattapallax, editada nos EUA (2002), e Tsé=tsé, editada na Argentina (2000)”

O texto é curto e objetivo. Nada que deponha contra ou a favor do sujeito se sobressai (além, claro, do “carece de fontes” ao lado da afirmação de que seus textos integram diversas antologias nacionais e estrangeiras).

Vi então que ele tem um blog e um site. No site, o Joca comentava o caso e, principalmente, o sensacionalismo da matéria do jornal AGORA que, inclusive, teria dado mais destaque à questão do livro do que ao jogo do Corinthians, com a seguinte manchete:

“Livro Entregue a 3ª. Série Sugere Estupro e Drogas”

Bem, sem querer discutir a linha editorial do AGORA (até porque não sou jornalista) no meu ponto de vista a educação de alunos de terceira série é sim mais importante que o futebol. Nesse contexto, acho muito salutar que um jornal dê mais destaque a política educacional do governo do que ao coringão (mas isso pode ser coisa minha, que acho o campeonatopaulistabrasileirocopadobrasileaputaquepariu um porre).

Já o tom sensacionalista do jornal é outro problema que, obviamente, não ajuda em nada na discussão.

Pois bem, na seqüência, o blog apresenta a íntegra do poema que reproduzo a baixo:

“Manual de auto-ajuda para supervilões

Ao nascer, aproveite seu próprio umbigo e estrangule toda a equipe médica.
É melhor não deixar testemunhas.

Não vá se entusiasmar e matar sua mãe.
Até mesmo supervilões precisam ter mães.

Se recuse a mamar no peito. Isso amolece qualquer um.

Não tenha pai. Um supervilão nunca tem pai.

Afogue repetidas vezes seu patinho de borracha na banheira,
assim sua técnica evoluirá.
Não se preocupe. Patos abundam por aí.

Escolha bem seu nome. Maurício, por exemplo.

Ou Malcolm.

Evite desde o início os bem intencionados. Eles são super-chatos.

Deixe os idiotas uivarem. Eles sempre uivam, mesmo quando não
podem mais abrir a boca.

Odeie. Assim, por esporte.
E torça por time nenhum.

Aprenda a cantar samba, rap e jogar dama. Pode ser muito útil na cadeia.
Principalmente brincar de dama.

Ginga e lábia, com ardor. Estômago em lugar de coração,
pedra no rim em vez de alma.

Tome drogas. É sempre aconselhável ver o panorama do alto.

Fale cuspindo. Super-heróis odeiam isso.

Pactos existem para serem quebrados. Mesmo que sejam com o diabo.

Nunca ame ninguém. Estupre.

Execre o amável. Zele pelo abominável.

Seja um pouco efeminado.
Isto sempre funciona com estilistas.

[ in, "Poesia do Dia - Poetas de Hoje para Leitores de Agora", org. Leandro Sarmatz, Ática, SP, 2008 ]

Comentemos, mas primeiro uma premissa.

Sinceramente, acho que ao se avaliar uma obra de arte não se deve “julgar” se é moral ou imoral. Essa é uma armadilha. Se seguirmos nessa linha, vamos abrir caminho para todo tipo de babaca sair por aí defendendo que as obras fálicas pintadas nas paredes de Pompéia devem ser borradas ou ainda dizendo que filme brasileiro só tem palavrão (porque os filmes americanos, esses sim são de uma linguagem exemplar). Obras de arte devem ser avaliadas quanto à qualidade artística e ponto.

Nesse mesmo sentido, o artigo 5°, IV e IX da Constituição Federal protege a liberdade de expressão e as manifestações artísticas de qualquer natureza. Em suma, qualquer um pode escrever o que quiser, qualquer dono de livraria pode vender o que quiser e qualquer pessoa pode ler o que quiser.

Isso não significa, contudo, que o livre pensador não possa ter uma opinião (eu já tenho a minha e ela vem mais abaixo), mas não é só. O Estado também tem obrigação de avaliar e tecer sua opinião quando está divulgando um material a título de livro didático que, de acordo com o Houaiss, é palavra de origem grega e significa: relativo à didática; destinado a instruir; que facilita a aprendizagem; que proporciona instrução e informação, assim como prazer e divertimento, etc.

Bem, e como se forma a opinião do Estado? Muito simples, basta checar, de novo, os valores que estão insculpidos na Constituição Federal. Sigam meu raciocínio.

Assim como o professor de qualquer bom colégio escolhe, com esmero, o livro que vai sugerir para seus alunos o Estado tem de fazer o mesmo.

Pois bem, um colégio católico provavelmente não vai indicar a seus alunos “O Mundo Assombrado pelos Demônios”. Muito simples, se você quer formar cristãos, não deve sugerir como leitura a Bíblia do ceticismo. Correto? Se o carinha quiser ler em casa, problema dele.

Pois bem, vamos à Constituição Federal in verbis:

“Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II - garantir o desenvolvimento nacional;

III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.”

Aí vem o Manual do Super Vilão e diz:

“Aprenda a cantar samba, rap e jogar dama. Pode ser muito útil na cadeia.” ou ainda “Seja um pouco efeminado. Isto sempre funciona com estilistas.” SOCORRO!!!

E a imprensa ainda se fixou na coisa do estupro!!! Gente, HELLO!!! Tá todo mundo dormindo!!!

Dizem que vão deixar os livros para os mais velhos (por mais velhos entende-se 13 anos), para consulta sob supervisão. Supervisão de quem? Depois ainda acham estranho que a molecada queira fugir da escola. Note-se que o próprio autor reconhece que indicar seu livro para crianças é uma imbecilidade.

Uma coisa é óbvia. Ninguém lê a porra dos livros didáticos que são distribuídos pelo Estado (ou, pelo menos ninguém com mais de dois neurônios). Ninguém dá a mínima nem para o conteúdo nem para a qualidade. Aí vem neguinho fazer propaganda do programa de auxílio à alfabetização que distribuiu não sei quantos mil livros para as escolas públicas!!! Caraca, o que aconteceu com o “Para Gostar de Ler”? Cadê “O Aviãozinho Vermelho”, o “O Reizinho Mandão”? Cecília Meireles, Rute Rocha, Chico Buarque, Monteiro Lobato, Vinicius, Drummond e outros tantos escreveram para criança.

E vejam, eu não tenho nada contra gente nova que escreva bem (ou mal, que seja). Tampouco vou discutir o papel que o mercado editorial tem nessa baixaria toda – até porque, depois do maravilhoso post do Sutiliza, qualquer coisa seria redundante. O único problema é que na hora de fazer a FUVEST que tipo de leitura o próprio Estado exige que o estudante tenha lido?

terça-feira, 26 de maio de 2009

Pequenas diversões

Pequenas bestiras cotidianas que me fazem feliz:

1 - Poder dizer "entonces" (e manter a conversa em total seriedade).

2 Dar uma volta pelo quarteirão:

Portão

Direita


Direita

Direita

Direita


Finalmente, direita