domingo, 31 de maio de 2009

La Moneda

Hoje foi dia do Monumento Nacional, que é uma espécie de virada cultural das instituições. Todos os prédios públicos ficam inteiramente – ou quase – abertos à visitação pública.

Ministérios, Congresso, Palácio La Moneda... todos os prédios públicos podem ser percorridos e visitados por quem quer que seja. Claro, sempre tem uma fila, mas é percorrível.

Fui visitar o La Moneda. Vi todas as salas (inclusive o local onde morreu o Allende), os gabinetes, salões oficiais, etc. No que tange ao Allende, como a intenção é recuperar e manter a memória do país, eles restauraram o palácio tentando manter suas características de época (depois posto as fotos).

Agora, o que eu achei mais engraçadinho foi o setor da primeira-dama. O Chile, como qualquer país do mundo, tem a figura institucional da primeira-dama que, ao longo da história, sempre esteve encarregada de certas atividades. Quando a Bachelet foi eleita apareceu o problema: quem agora vai realizar as atividades da primeira-dama?

Para resolver o caso, logo após a eleição, Bachelet criou a Diretoria da Área Sócio-Cultural da Presidência e indicou uma senhora chamada Adriana Delpiano para o cargo. A senhora, no caso, era uma assistente social com muita experiência em política pública etc., e, também, amiga da Bachelet. Assim, ficou conhecida como primeira comadre.

Hoje, o cargo é ocupado por outra pessoa chamada María Eugenia Hirmas, mas o nome (primeira-comadre) ficou. Adorei .


quinta-feira, 28 de maio de 2009

Ou Isto ou Aquilo.

Hoje estava lendo a Folha de São Paulo (ô dia besta) e me deparo com a seguinte notícia:

“O governo de São Paulo enviou a alunos de terceira série (faixa etária de nove anos) um livro feito para adolescentes, que possui frases como "nunca ame ninguém. Estupre".
A coletânea de poesias faz parte do mesmo programa de melhoria da alfabetização que teve um livro recolhido por conter palavrões e expressões de conotação sexual: "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol", também distribuída para a terceira série.
A nova obra, "Poesia do Dia -Poetas de Hoje para Leitores de Agora", foi enviada às escolas há cerca de duas semanas para ser usada como material de apoio. Foram distribuídos 1.333 exemplares.
"Não é para crianças de nove anos. São várias ironias, que elas não entendem", afirmou o escritor Joca Reiners Terron, autor do poema mais criticado por professores da rede, chamado "Manual de Auto-Ajuda para Supervilões".
Alguns dos versos são "Tome drogas, pois é sempre aconselhável ver o panorama do alto"; e "Odeie. Assim, por esporte".
"Espero que o Serra [governador José Serra] não ache o texto um horror, como ele disse do outro livro. Horror é quem escolhe essas obras para crianças", disse Terron.
Em nota, a direção da Abril Educação (responsável pela Ática) afirma que o livro é recomendado para adolescentes de 13 anos, "indicação reforçada na contracapa, na apresentação e no suplemento ao professor".
Após questionamento da Folha, a Secretaria da Educação da gestão José Serra (PSDB) decidiu ontem retirar os livros das salas de aula. Os exemplares, no entanto, permanecerão nas escolas, para consulta de alunos mais velhos.
O entendimento é que os assuntos do poema devem ser abordados na escola, mas com supervisão de um especialista.
A secretaria não esclareceu como é feita a escolha dos livros. A sindicância aberta para apurar o caso do outro livro ainda não foi concluída.

Críticas
Professor da Faculdade de Educação da USP, Vitor Paro afirma que a escolha do livro para crianças de nove anos "é produto da incompetência e ignorância do governo".
"Por que os livros só foram retirados após o jornalista questionar? A análise não deveria ter sido feita antes?", diz.
A coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp, Angela Soligo, classifica como "um horror" o poema. "Tem uma ironia que talvez só o adulto entenda. É totalmente desnecessário para uma escola."
"Já é o segundo caso. Os professores ficam inseguros com o material", disse ela.”

Antes de sair xingando - e evitando seguir a linha fácil do “oh que absurdo” - resolvi, primeiramente, dar um Google no poeta (que eu não conhecia, confesso sou muito ignorante em termos de literatura moderna) até porque, os comentários atribuídos a ele pela Folha mostram que se trata de um sujeito ok. A biografia no wikipedia é a seguinte:

“Joca Reiners Terron (Cuiabá, 9 de fevereiro de 1968) é um poeta, prosador, artista gráfico e editor brasileiro. Radicado em São Paulo desde 1995, Joca estudou Arquitetura na UFRJ e formou-se em Desenho Industrial na UNESP. Publicou os livros de poemas Eletroencefalodrama (1998) e Animal anônimo (2002) e os de prosa Não há nada lá (2001), Hotel Hell (2003), Curva de Rio Sujo (2004), e Sonho interrompido por guilhotina (2006). Foi editor da Ciência do Acidente. Seus textos integram diversas antologias nacionais e estrangeiras[carece de fontes?], como Na virada do século - poesia de invenção do Brasil (2002), editada por Frederico Barbosa e Claudio Daniel, Rattapallax, editada nos EUA (2002), e Tsé=tsé, editada na Argentina (2000)”

O texto é curto e objetivo. Nada que deponha contra ou a favor do sujeito se sobressai (além, claro, do “carece de fontes” ao lado da afirmação de que seus textos integram diversas antologias nacionais e estrangeiras).

Vi então que ele tem um blog e um site. No site, o Joca comentava o caso e, principalmente, o sensacionalismo da matéria do jornal AGORA que, inclusive, teria dado mais destaque à questão do livro do que ao jogo do Corinthians, com a seguinte manchete:

“Livro Entregue a 3ª. Série Sugere Estupro e Drogas”

Bem, sem querer discutir a linha editorial do AGORA (até porque não sou jornalista) no meu ponto de vista a educação de alunos de terceira série é sim mais importante que o futebol. Nesse contexto, acho muito salutar que um jornal dê mais destaque a política educacional do governo do que ao coringão (mas isso pode ser coisa minha, que acho o campeonatopaulistabrasileirocopadobrasileaputaquepariu um porre).

Já o tom sensacionalista do jornal é outro problema que, obviamente, não ajuda em nada na discussão.

Pois bem, na seqüência, o blog apresenta a íntegra do poema que reproduzo a baixo:

“Manual de auto-ajuda para supervilões

Ao nascer, aproveite seu próprio umbigo e estrangule toda a equipe médica.
É melhor não deixar testemunhas.

Não vá se entusiasmar e matar sua mãe.
Até mesmo supervilões precisam ter mães.

Se recuse a mamar no peito. Isso amolece qualquer um.

Não tenha pai. Um supervilão nunca tem pai.

Afogue repetidas vezes seu patinho de borracha na banheira,
assim sua técnica evoluirá.
Não se preocupe. Patos abundam por aí.

Escolha bem seu nome. Maurício, por exemplo.

Ou Malcolm.

Evite desde o início os bem intencionados. Eles são super-chatos.

Deixe os idiotas uivarem. Eles sempre uivam, mesmo quando não
podem mais abrir a boca.

Odeie. Assim, por esporte.
E torça por time nenhum.

Aprenda a cantar samba, rap e jogar dama. Pode ser muito útil na cadeia.
Principalmente brincar de dama.

Ginga e lábia, com ardor. Estômago em lugar de coração,
pedra no rim em vez de alma.

Tome drogas. É sempre aconselhável ver o panorama do alto.

Fale cuspindo. Super-heróis odeiam isso.

Pactos existem para serem quebrados. Mesmo que sejam com o diabo.

Nunca ame ninguém. Estupre.

Execre o amável. Zele pelo abominável.

Seja um pouco efeminado.
Isto sempre funciona com estilistas.

[ in, "Poesia do Dia - Poetas de Hoje para Leitores de Agora", org. Leandro Sarmatz, Ática, SP, 2008 ]

Comentemos, mas primeiro uma premissa.

Sinceramente, acho que ao se avaliar uma obra de arte não se deve “julgar” se é moral ou imoral. Essa é uma armadilha. Se seguirmos nessa linha, vamos abrir caminho para todo tipo de babaca sair por aí defendendo que as obras fálicas pintadas nas paredes de Pompéia devem ser borradas ou ainda dizendo que filme brasileiro só tem palavrão (porque os filmes americanos, esses sim são de uma linguagem exemplar). Obras de arte devem ser avaliadas quanto à qualidade artística e ponto.

Nesse mesmo sentido, o artigo 5°, IV e IX da Constituição Federal protege a liberdade de expressão e as manifestações artísticas de qualquer natureza. Em suma, qualquer um pode escrever o que quiser, qualquer dono de livraria pode vender o que quiser e qualquer pessoa pode ler o que quiser.

Isso não significa, contudo, que o livre pensador não possa ter uma opinião (eu já tenho a minha e ela vem mais abaixo), mas não é só. O Estado também tem obrigação de avaliar e tecer sua opinião quando está divulgando um material a título de livro didático que, de acordo com o Houaiss, é palavra de origem grega e significa: relativo à didática; destinado a instruir; que facilita a aprendizagem; que proporciona instrução e informação, assim como prazer e divertimento, etc.

Bem, e como se forma a opinião do Estado? Muito simples, basta checar, de novo, os valores que estão insculpidos na Constituição Federal. Sigam meu raciocínio.

Assim como o professor de qualquer bom colégio escolhe, com esmero, o livro que vai sugerir para seus alunos o Estado tem de fazer o mesmo.

Pois bem, um colégio católico provavelmente não vai indicar a seus alunos “O Mundo Assombrado pelos Demônios”. Muito simples, se você quer formar cristãos, não deve sugerir como leitura a Bíblia do ceticismo. Correto? Se o carinha quiser ler em casa, problema dele.

Pois bem, vamos à Constituição Federal in verbis:

“Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II - garantir o desenvolvimento nacional;

III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.”

Aí vem o Manual do Super Vilão e diz:

“Aprenda a cantar samba, rap e jogar dama. Pode ser muito útil na cadeia.” ou ainda “Seja um pouco efeminado. Isto sempre funciona com estilistas.” SOCORRO!!!

E a imprensa ainda se fixou na coisa do estupro!!! Gente, HELLO!!! Tá todo mundo dormindo!!!

Dizem que vão deixar os livros para os mais velhos (por mais velhos entende-se 13 anos), para consulta sob supervisão. Supervisão de quem? Depois ainda acham estranho que a molecada queira fugir da escola. Note-se que o próprio autor reconhece que indicar seu livro para crianças é uma imbecilidade.

Uma coisa é óbvia. Ninguém lê a porra dos livros didáticos que são distribuídos pelo Estado (ou, pelo menos ninguém com mais de dois neurônios). Ninguém dá a mínima nem para o conteúdo nem para a qualidade. Aí vem neguinho fazer propaganda do programa de auxílio à alfabetização que distribuiu não sei quantos mil livros para as escolas públicas!!! Caraca, o que aconteceu com o “Para Gostar de Ler”? Cadê “O Aviãozinho Vermelho”, o “O Reizinho Mandão”? Cecília Meireles, Rute Rocha, Chico Buarque, Monteiro Lobato, Vinicius, Drummond e outros tantos escreveram para criança.

E vejam, eu não tenho nada contra gente nova que escreva bem (ou mal, que seja). Tampouco vou discutir o papel que o mercado editorial tem nessa baixaria toda – até porque, depois do maravilhoso post do Sutiliza, qualquer coisa seria redundante. O único problema é que na hora de fazer a FUVEST que tipo de leitura o próprio Estado exige que o estudante tenha lido?

terça-feira, 26 de maio de 2009

Pequenas diversões

Pequenas bestiras cotidianas que me fazem feliz:

1 - Poder dizer "entonces" (e manter a conversa em total seriedade).

2 Dar uma volta pelo quarteirão:

Portão

Direita


Direita

Direita

Direita


Finalmente, direita

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Sewell

Sewell é uma cidade mineira há 2.200 metros de altitude e é considerada pela Unesco patrimônio da humanidade.

Foi construída no início do século XX pelos americanos que na época exploravam o cobre chileno. Ainda hoje, o acesso se dá pela área da maior mina de cobre do Chile - e portanto do mundo - com cerca de 2.800 km de túneis.

De fato, para se chegar a Sewell você tem que, literalmente, atravessar toda a instalação da CODELCO. Só se pode ir à Sewell de excursão já que veículos particulares não são permitidos pela estrada do cobre (o que, diga-se de passagem, é bastante compreensível considerando a quantidade de caminhões de ácido sulfúrico e outras maquininhas malucas que circulam por ali).

Na verdade, há excursões pela mina (sim você pode entrar no buraco dentro da montanha). Não peguei esse tour, de qualquer forma a vista das instalações internas já é muito impressionante.

No início do século XX os americanos instalaram uma cidade mineira de características muito peculiares. A idéia era muito simples: como fazer para manter 1.000 engenheiros americanos (e suas famílias) e 15.000 mineiros chilenos (e suas famílias) convivendo e maneira razoavelmente pacífica num ponto completamente isolado no meio dos Andes?

A resposta é Sewell.




Sewell, cujo auge se deu na primeira metade do século, tinha um teatro onde cantavam, de graça, artistas famosos da época. Parece até que um dos vocalistas dos The Platers viveu um tempo em Sewell. O cinema de Sewell apresentava todo e qualquer filme americano apenas 15 dias depois de sua estréia nos Estados Unidos. Em Sewell chegavam brinquedos que não existiam no Chile. Sewell ainda teve a primeira piscina olímpica aquecida da América Latina, foi a primeira cidade com sistema de calefação e outras novidades. A cidade tinha até um boliche!

E não é só. A cidade tinha os melhores médicos e infra-estrutura hospitalar do Chile (a primeira máquina de raio-x da América Latina adivinha onde foi instalada?). Os americanos selecionavam os melhores alunos das universidades chilenas, mandavam para os Estados Unidos e depois para Sewell. A quantidade de médicos era o dobro da que hoje se considera recomendável. A idéia era evitar que, no caso de uma grande tragédia na mina, a cidade ficasse sem assistência.

A cidade também tinha escola e um sistema rígido para manter as crianças sempre estudando. O bedel ia buscar em casa qualquer um que cabulasse. E se a pessoa quisesse parar de estudar? Bastava firmar uma declaração e aí... mina (ou faxina, se fosse mulher).

Nos anos 60, começou o processo de nacionalização do cobre. No dia seguinte à eleição do Allende, os americanos deixaram Sewell com a roupa do corpo, antes mesmo de qualquer movimento de extradição (imagina a grana que os caras já não tinham feito). Deixaram para trás suas casas, móveis (todos em madeira de carvalho) jóias e outros tipos de coisa.

Com a criação da estatal, começou-se a planejar o desmonte da cidade (de manutenção muito cara). Além disso, por esse tempo, descobriu-se que a poluição local era um terror absoluto e que, além do mais, o ar estava contaminado com arsênico o que culminou com o total abandono da cidade.

Hoje em dia, embora os níveis de contaminação tenham sido reduzidos em 80%, ainda não se pode ter hotel no local. Assim, só há excursões pelo dia e apenas nos finais de semana e feriados.

Pois bem, com a fuga dos americanos, as casas que em que eles viviam (supostamente as mais bonitas) foram desmontadas e vendidas. O resto da cidade foi ficando e ficando, mas sempre sob a ameaça do desmonte, até que estudantes de arquitetura recorreram a UNESCO e a cidade foi convertida em patrimônio da humanidade.

O guia da excursão, Don Nelson, nasceu e cresceu em Sewell e contou várias histórias pitorescas da cidade. Aliás, foi a primeira vez que eu vi um guia dar informações interessantes sobre o local visitado (ainda vou colocar algumas histórias aqui)

De qualquer forma vale muito conhecer a cidade e também passar pela mina de cobre. Também farei um tópico específico sobre isso, já que não posso perder a oportunidade de falar sobre coisas tão interessantes quanto bactérias que comem sulfato de cobre e fazem coco de cobre.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

CPI da Petrobras

Recordar é viver

(antes que reclamem, o link tem a matéria em forma legível e vale a pena ler para dar umas risadas tipo sobre as previsões do cara que, na época, era presidente da empresa e que, portanto, deveria ser o maior conhecedor da companhia).





quinta-feira, 14 de maio de 2009

Star Trek

Para tudo tem um primeira vez na vida. Ontem, pela primeira, eu assiti um filme da série Star Trek.

Alguns podem se espantar. Como assim?! Dirão em estado de choque. Pois é a mais pura verdade. Claro que eu sei quem é o Leonard Nimoy. Claro que, em algum momento da minha vida, devo ter visto meio episódio da antiga série de TV, mas nunca dei bola, nunca me interessei e nunca havia assistido nenhum filme com esse tema (nova ou velha geração, seja lá o que isso quer dizer).

Pois bem, ontem fui assitir o Star Trek e gostei. Não sei o que dirão os puristas, mas eu achei o filme bem legal.

Como o blog é dedicado a falar do Chile e não do espaço, em vez de continuar falando do filme vou copiar a crítica publicada numa revista chamada Zona de Contato, que é vinculada ao Jormal El Mercurio (o Estadão local). O crítico escreve como se fosse uma criança!!!

Segue o texto (que também é legal para deixar claro que chileno não é espanhol).

DAWSON'S TREK BEGINS (HASTA CUÁNDO CON LA LESERITA: THE MOVIE)

STAR TREK Y EL UNIVERSO UNIVERSAL

Por si las moscas(1), Star Trek se trata del futuro y de un montón de pericos (2) que trabaja en la Confederación Espacial Maestra de Compadres de Star Trek Que Andan en las Medias Naves S.A. (CEMDCDSTQAELMN), donde todos andan con uniforme nerd sentados delante de los tableros con lucecitas mirando el espacio por la ventana gigante. Siempre terminan metidos en los mansos tetes galácticos además, y se agarran a cañonazo limpio con las naves malas, y la cuestión. También es bacán porque siempre los compadres son bien variados y hay gente de distinta raza, por ejemplo un chino, un ruso, un gordo y una minoca (3), porque el universo es universal.

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Por lo mismo también, siempre hay extraterrestres entremedio, pero nunca son tan bacanes como ese Calamar-Man del Regreso del que te Jedi que abría las medias pepeas cuando veía la Estrella de la Muerte y se hacía tinta de miedo. Los marcianos de Star Trek son más fomeques y son como personas normales no más, salvo por una sola cosa cuática (4) que representa su extraterrestrialidad alienígena de marciano, por ejemplo un compadre con la media frente de rallador, o una minoca con los labios morados, o mi primo Feto con su cráneo gigante de zapallo italiano (cuando mira para arriba pierde el equilibrio y se va de espaldas por la hidrocefalia).

Y como esta película tiene toda la onda “Begins”, obvio que parte cuando todos los compadres de la CEMDCDSTQAELMN son péndex o están recién dando la PSU (5) galáctica en el Pedro de Alfa Centauro (6). Los principales son dos compadres en todo caso: uno que es todo abacanado y que es como si Luke Skywalker hubiera tenido un hijo con Han Solo y lo hubiera adoptado Zap Brannigan (maestro), y el otro que es entero nerd y grave y se cree la zorra (7) (el Peter Pan con chasquilla (8)).

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Como los van mostrando a los dos escena por medio, uno cacha (9) que cuando estén más grandecitos van a juntarse y va a quedar la grande (10), porque uno no es tonto. Y aunque estas escenas son con puros péndex apestosos, uno se da cuenta de que hay que ir abriendo la boquita porque esta Star Trek es a toda zorra (11) y espérate no más (la dura).

Uno le empieza a agarrar buena a los dos compadres, y justo cuando uno está empezando a aburrirse ZUÁCATE, pasa algo a toda raja y uno se ríe y lo pasa tan bien que termina con gripe zorrina. Con decirles que una señora al lado mío lo pasó tan pero tan pork, que tuvo la guagua de manera prematura ahí mismo en el cine y le puso Peter Pan con chasquilla a la guagua, y ni siquiera estaba embarazada (12). O sea, heavy (esta película hace milagros).

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Resulta que el peliculasta que se mandó esta cuestión es Jar Jar Abrams, que antes hizo esa serie famosa que los dejó a todos para dentro y con así cada pepa(13) (Felicity). Ahora hace películas y si todas son tan entretes como esta, que haga lo que quiera porque las voy a ir a ver igual.

No les quiero contar mucho la historia de la película para que después no anden llorando, pero le lleva de todo. Hay escenas de naves peleando que son maestras, monstruos mala onda persiguiendo compadres, planetas que se hacen bolsa (14), marcianos horribles bacanes, minocas hot verdes, paracaidismo, rayos láser y hasta un chino samurai futurista espacial. Incluso hay drama porque los compadres todos tienen rollo con sus viejos y da que pensar. Peter Pan con Chasquilla por ejemplo es hijo de la Winona Ryder y todos en el colegio lo molestan con que la mamá es manilarga (15) y le dicen presta tu vieja para ir a Zara y la cuestión (es drama con contenido).

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Otra cosa que encontré bacán son los malos, porque son como los típicos terroristas Habibi rencorosos terrícolas, pero en el espacio y con naves que parecen castillo terrorífico del Señor de los Anillos, pero acostado. (Los malos también son pelados y odian a Peter Pan porque le envidian la chasquilla). Uno igual los respeta porque son todos maceteados y malas pulgas, y porque tienen un líquido maldito que hace hoyos negros y se chupa planetas completos, y hasta Stephen Hawking quedó turuleque cuando vio esa cuestión.

En resumen, yo voy a ir a verla catorce veces más al cine a aprovechar la pantalla gigante y los parlantes zorraund, porque con esa música y esos efectos especiales modernos, ni loco. Y también voy a invitar a toda mi familia a verla, incluyendo a los marcianos de mi primo Feto y mi tía Charo, porque Star Trek me enseñó que el universo es de todos.

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Ochocientos millones setecientos quince mil tres estrellas, quince planetas y una supernova(¿cómo te quedó el ojo?). Y recuerden el mensaje: todo lo que es cool y la zorra va a terminar algún día siendo un viejujo tieso colorinche quiche. Y de ahora en adelante ojalá que este Jar Jar Abrams haga todas películas “Begins” que faltan: Rápido y Furioso: Triciclo Drift, Kill Bill vol. 0: Born Bill, y la más comienzo de todos los comienzos, Big Bang Begins: Rise of Nothing. Ya cabros, eso sería por esta semana. No sean giles y vayan a ver Star Trek.

(1) Caso alguém não saiba;
(2) papagaios, caras;
(3) mina bonitinha
(4) estranha
(5) FUVEST local
(6) trocadilho com nome de colégio local
(7) no contexto, zorra é legal para caralho
(8) franjinha
(9) uno cacha significa 'você logo entende". Cachar, diga-se, é um verbo chileno que significa entender e vem de 'to catch'. Todo mundo fala, é um tal de cachai para cá e cachaí para lá sem fim.
(10) vai dar merda
(11) no contexto, também significa legal
(12) essa frase doida diz mais ou menos o seguinte: "uma mulher ao meu lado riu tanto que teve um bebê ali mesmo e já o batizou de spock - e nem estava grávida."
(13) olhos arregalados
(14) hacer bolsa é ficar cada vez mais machucado.
(15) mão leve

Momento spoiler, o que vocês acharam do Spock pegador?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Chez Neruda

As Casas de Pablo Neruda estão entre as principais atrações turísticas do Chile. Há três delas: Isla Negra (a maior e mais bonita) que fica em El Tabo; Sebastiana (a segunda mais legal) em Valpo e Chascona (também legal mas perde em comparação com as outras duas) em Santiago.

As duas primeiras estão em localização privilegiada e têm vistas lindas. A casa de Santiago, por sua vez, fica no bairro Bela Vista que, apesar do nome, tem muitos bares mas pouco visual.










Um ponto comum a todas as casas é sua formação compartimentada. Às vezes os compartimentos são separados por jardins, às vezes por longos corredores ou escadas. Isla Negra é a casa mais horizontal, Valpo, a mais vertical.



Um tema comum às casas é o mar. Todas (mesmo a casa de Santiago) estão cheias de referências náuticas como escotilhas e escadas de antigos navios, entre outros que detalhes. Também se destacam as coleções de badulaques diversos que me encheram de vontade de sair ‘catando coisas’ por aí.

Como diplomata, Neruda viajou pelo mundo e colecionou de tudo um pouco, transformando suas casas em pequenos museus de ‘coisas’: máscaras (africanas, asiáticas e outras), borboletas e outros insetos, desenhos, copos e garrafas coloridos, diabinhos mexicanos... tem de um tudo.

As principais coleções, no entanto, têm temas marítimos. Na Isla Negra, por exemplo, existe uma coleção daquelas estátuas, normalmente em forma de mulher, que ficavam na proa das embarcações antigas (isso deve ter um nome, mas desconheço). Também há coleções de conchas, de barquinhos em miniatura, cartas náuticas, instrumentos de navegação e outras coisas similares.

Na Isla Negra adorei o banheiro erótico: um pequeno lavado coberto de desenhos eróticos antigos, do início do século XX. Também amei o barquinho que nunca navegou e que ficava no jardim da casa. Como o Neruda não sabia navegar simplesmente juntava uns amigos no barquinho para beber.

Também está em exposição o prêmio Nobel que ele recebeu (esse está na Chascona).

Hoje as casas estão reformadas já que, quando do golpe, uns militares babacas invadiram a Chascona e a Isla Negra e destruíram muita coisa.

Infelizmente não se pode tirar fotos (mesmo sem flash) no interior de nenhuma das casas. Só nos jardins é que as fotos estão liberadas (sinceramente, não sei o que esse povo tem contra fotografia).

Na Isla Negra, entretanto, a parte do bar está fechada ao público e só pode ser avistada por uma janela, onde eu fiz as seguintes fotos.


Depois de tê-las tirado, fiquei numa dúvida acerca do real sentido da proibição. Não sei se é proibido tirar fotos “no interior da casa” ou “do interior da casa”, mas aí Inês já era morta. De qualquer forma, no site, há fotos bonitas que permitem ver um pouco os aposentos de algumas das casas.























Em tempo, as casas de Valpo e de Santiago têm acesso muito fácil. Em Valpo, sequer fizemos reserva, foi chegar e olhar. Já na Chascona, em Santiago, a reserva (com um dia de antecedência que seja) é recomendável.

No dia em que eu fui, vários brasileiros deram com a cara na porta hihihihihi. O pior foi ter que agüentar aquele povo que se acha super fino só porque está de casaco reclamando, praguejando e insistindo para ver se não tinha um jeito de entrar (aí que saco). Tudo bem que aqui o povo até exagera nessa coisa de horário, mas haja paciência.

A Isla Negra, por sua vez, estava lotada, mas deu para entrar sem reserva. A casa, no entanto, é super fora de mão. Assim, ou você arruma um carro ou vai de excursão.

Ah, nenhuma delas aceita cartão.