1 - Poder dizer "entonces" (e manter a conversa em total seriedade).
2 Dar uma volta pelo quarteirão:
Portão
Direita
Finalmente, direita
Foi construída no início do século XX pelos americanos que na época exploravam o cobre chileno. Ainda hoje, o acesso se dá pela área da maior mina de cobre do Chile - e portanto do mundo - com cerca de 2.800 km de túneis.
De fato, para se chegar a Sewell você tem que, literalmente, atravessar toda a instalação da CODELCO. Só se pode ir à Sewell de excursão já que veículos particulares não são permitidos pela estrada do cobre (o que, diga-se de passagem, é bastante compreensível considerando a quantidade de caminhões de ácido sulfúrico e outras maquininhas malucas que circulam por ali).
Na verdade, há excursões pela mina (sim você pode entrar no buraco dentro da montanha). Não peguei esse tour, de qualquer forma a vista das instalações internas já é muito impressionante.
No início do século XX os americanos instalaram uma cidade mineira de características muito peculiares. A idéia era muito simples: como fazer para manter 1.000 engenheiros americanos (e suas famílias) e 15.000 mineiros chilenos (e suas famílias) convivendo e maneira razoavelmente pacífica num ponto completamente isolado no meio dos Andes?
A resposta é Sewell.


Sewell, cujo auge se deu na primeira metade do século, tinha um teatro onde cantavam, de graça, artistas famosos da época. Parece até que um dos vocalistas dos The Platers viveu um tempo em Sewell. O cinema de Sewell apresentava todo e qualquer filme americano apenas 15 dias depois de sua estréia nos Estados Unidos. Em Sewell chegavam brinquedos que não existiam no Chile. Sewell ainda teve a primeira piscina olímpica aquecida da América Latina, foi a primeira cidade com sistema de calefação e outras novidades. A cidade tinha até um boliche!
E não é só. A cidade tinha os melhores médicos e infra-estrutura hospitalar do Chile (a primeira máquina de raio-x da América Latina adivinha onde foi instalada?). Os americanos selecionavam os melhores alunos das universidades chilenas, mandavam para os Estados Unidos e depois para Sewell. A quantidade de médicos era o dobro da que hoje se considera recomendável. A idéia era evitar que, no caso de uma grande tragédia na mina, a cidade ficasse sem assistência.
A cidade também tinha escola e um sistema rígido para manter as crianças sempre estudando. O bedel ia buscar em casa qualquer um que cabulasse. E se a pessoa quisesse parar de estudar? Bastava firmar uma declaração e aí... mina (ou faxina, se fosse mulher).
Nos anos 60, começou o processo de nacionalização do cobre. No dia seguinte à eleição do Allende, os americanos deixaram Sewell com a roupa do corpo, antes mesmo de qualquer movimento de extradição (imagina a grana que os caras já não tinham feito). Deixaram para trás suas casas, móveis (todos em madeira de carvalho) jóias e outros tipos de coisa.
Com a criação da estatal, começou-se a planejar o desmonte da cidade (de manutenção muito cara). Além disso, por esse tempo, descobriu-se que a poluição local era um terror absoluto e que, além do mais, o ar estava contaminado com arsênico o que culminou com o total abandono da cidade.
Hoje em dia, embora os níveis de contaminação tenham sido reduzidos em 80%, ainda não se pode ter hotel no local. Assim, só há excursões pelo dia e apenas nos finais de semana e feriados.
Pois bem, com a fuga dos americanos, as casas que em que eles viviam (supostamente as mais bonitas) foram desmontadas e vendidas. O resto da cidade foi ficando e ficando, mas sempre sob a ameaça do desmonte, até que estudantes de arquitetura recorreram a UNESCO e a cidade foi convertida em patrimônio da humanidade.
O guia da excursão, Don Nelson, nasceu e cresceu em Sewell e contou várias histórias pitorescas da cidade. Aliás, foi a primeira vez que eu vi um guia dar informações interessantes sobre o local visitado (ainda vou colocar algumas histórias aqui)
De qualquer forma vale muito conhecer a cidade e também passar pela mina de cobre. Também farei um tópico específico sobre isso, já que não posso perder a oportunidade de falar sobre coisas tão interessantes quanto bactérias que comem sulfato de cobre e fazem coco de cobre.


DAWSON'S TREK BEGINS (HASTA CUÁNDO CON LA LESERITA: THE MOVIE)
STAR TREK Y EL UNIVERSO UNIVERSAL
Por si las moscas(1), Star Trek se trata del futuro y de un montón de pericos (2) que trabaja en la Confederación Espacial Maestra de Compadres de Star Trek Que Andan en las Medias Naves S.A. (CEMDCDSTQAELMN), donde todos andan con uniforme nerd sentados delante de los tableros con lucecitas mirando el espacio por la ventana gigante. Siempre terminan metidos en los mansos tetes galácticos además, y se agarran a cañonazo limpio con las naves malas, y la cuestión. También es bacán porque siempre los compadres son bien variados y hay gente de distinta raza, por ejemplo un chino, un ruso, un gordo y una minoca (3), porque el universo es universal.
As duas primeiras estão em localização privilegiada e têm vistas lindas. A casa de Santiago, por sua vez, fica no bairro Bela Vista que, apesar do nome, tem muitos bares mas pouco visual.
Um ponto comum a todas as casas é sua formação compartimentada. Às vezes os compartimentos são separados por jardins, às vezes por longos corredores ou escadas. Isla Negra é a casa mais horizontal, Valpo, a mais vertical.
Um tema comum às casas é o mar. Todas (mesmo a casa de Santiago) estão cheias de referências náuticas como escotilhas e escadas de antigos navios, entre outros que detalhes. Também se destacam as coleções de badulaques diversos que me encheram de vontade de sair ‘catando coisas’ por aí.
Como diplomata, Neruda viajou pelo mundo e colecionou de tudo um pouco, transformando suas casas em pequenos museus de ‘coisas’: máscaras (africanas, asiáticas e outras), borboletas e outros insetos, desenhos, copos e garrafas coloridos, diabinhos mexicanos... tem de um tudo.
As principais coleções, no entanto, têm temas marítimos. Na Isla Negra, por exemplo, existe uma coleção daquelas estátuas, normalmente em forma de mulher, que ficavam na proa das embarcações antigas (isso deve ter um nome, mas desconheço). Também há coleções de conchas, de barquinhos em miniatura, cartas náuticas, instrumentos de navegação e outras coisas similares.
Na Isla Negra adorei o banheiro erótico: um pequeno lavado coberto de desenhos eróticos antigos, do início do século XX. Também amei o barquinho que nunca navegou e que ficava no jardim da casa. Como o Neruda não sabia navegar simplesmente juntava uns amigos no barquinho para beber.
Também está em exposição o prêmio Nobel que ele recebeu (esse está na Chascona).
Hoje as casas estão reformadas já que, quando do golpe, uns militares babacas invadiram a Chascona e a Isla Negra e destruíram muita coisa.
Infelizmente não se pode tirar fotos (mesmo sem flash) no interior de nenhuma das casas. Só nos jardins é que as fotos estão liberadas (sinceramente, não sei o que esse povo tem contra fotografia).
Na Isla Negra, entretanto, a parte do bar está fechada ao público e só pode ser avistada por uma janela, onde eu fiz as seguintes fotos.

Depois de tê-las tirado, fiquei numa dúvida acerca do real sentido da proibição. Não sei se é proibido tirar fotos “no interior da casa” ou “do interior da casa”, mas aí Inês já era morta. De qualquer forma, no site, há fotos bonitas que permitem ver um pouco os aposentos de algumas das casas.
Em tempo, as casas de Valpo e de Santiago têm acesso muito fácil. Em Valpo, sequer fizemos reserva, foi chegar e olhar. Já na Chascona, em Santiago, a reserva (com um dia de antecedência que seja) é recomendável.
No dia em que eu fui, vários brasileiros deram com a cara na porta hihihihihi. O pior foi ter que agüentar aquele povo que se acha super fino só porque está de casaco reclamando, praguejando e insistindo para ver se não tinha um jeito de entrar (aí que saco). Tudo bem que aqui o povo até exagera nessa coisa de horário, mas haja paciência.
A Isla Negra, por sua vez, estava lotada, mas deu para entrar sem reserva. A casa, no entanto, é super fora de mão. Assim, ou você arruma um carro ou vai de excursão.
Ah, nenhuma delas aceita cartão.
Pontos em comum entre Chile e Brasil.
Superstição: aqui também se põe a vassoura de cabeça para baixo atrás da porta para espantar visita chata.
Truques de Espelhos: Adivinhem quem eu encontrei entre as atrações do Playcenter local (que se chama Fantasilandia)? Sim, ela mesma. A querida amiga Monga.

Valparaíso é uma cidade portuária e meio antiga que está um tanto abandonada. Os casarões estão meio que caindo aos pedaços, o centro está um tanto quanto decadente e a cidade ainda tem aquela população típica de zona portuária. Para ser um centro de atração turística, poderia estar mais bem cuidada.
Mesmo assim, vale muito conhecer. Para mim, pareceu uma mistura de Santa Teresa com Salvador (a cidade tem vários elevadores inclinados e verticais, por exemplo).
Valparaíso também tem a segunda casa mais legal do Neruda (já visitei as três), mas falo sobre elas depois.
Além disso, como o Carlos estudou em Valparaíso pudemos conhecer alguns locais locais da cidade. Um deles é o La Playa (quem conseguir dar um zoon, veja que belezinha o garçom máster pingüim que tem no logotipo).
Outro (J.Cruz) fica no final de um beco e é o bar com uma das decorações mais malucas que eu já vi. Tirei umas fotos sem flash (detesto incomodar quem está bebendo) e ficou tudo meio borrado e fora de foco. Mesmo assim, coloco as fotos que é para que vocês possam ter uma idéia.

Notem no alto à esquerda o filtro em forma de abacaxi (clássico) e o cachorro da RCA com um megafone. Segundo o Carlos, uma vez o cachorro caiu dali de cima. Pelo que fui informada, cachorro e cliente sobreviveram.
É bom ainda informar que esse boteco só serve uma comida (chorrillana), mas que é a coisa mais lariquenta que eu já vi. Imaginem um monte de batatas fritas quentinhas. Por cima das batatas, uma capa de cebola (também fritinha) bem transparente. Por cima das cebolas, suculentos cubinhos de carne que enchem de caldinho não apenas a cebola, mas a batata também. Por fim, por cima de tudo isso, um ovo mexido!!! molinho. Não consegue imaginar, aí está.
Já Viña está reservada para os ricos e famosos. Na orla, é cada prédio que deve fazer o Julio Neves chorar de emoção. Nem na Vila Nova Conceição se viu coisa igual. Só para vocês terem uma idéia um dos prédios, com várias torres - cuja mais alta deve ter uns vinte cinco andares - tem no seu miolo uma PALMEIRA!!!
Como sei que não é fácil de visualizar fiz umas fotos. Esse é o prédio.
Viram a palmeira? Então vai um close.
De qualquer forma, Viña é muito agradável! Bons lugares para comer, bonita paisagem, muita tranqüilidade e, para completar, tem cassino!!!
Por fim, além dessas duas cidades mais badaladas conheci Reñaca e Con Con onde fiquei hospedada(o hotel também merece um post a parte). São cidades menores, muito lindinhas e cheias daqueles predinhos que ficam encostados no morro e que parecem uma escada.
Depois volto com as casas do Neruda.