sábado, 18 de abril de 2009
Bizarrices do Brasil
Agora, cassar o mandato do cara por abuso de poder e uso irregular da máquina pública e devolver o Estado para o Sarney... hahahahaahahhahahahahahhahahahahhahahahahahahhahahah
O mais louco de tudo é que no jornal dão essa notícia como se fosse coisa séria. Falam em detalhes dos votos dos ministros, das provas contidas nos autos, quanta besteira.
Alguém devia falar para Roseana: Pô Rô, até o curintia jogo um ano na segundona, dá uma chanche pro Jack. Mas quem é que vai contrariar sinhazinha?
Será que vou ser processada por esse post?
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Aulas e Cumpleaños
Essa semana comecei o curso de espanhol.
A Escola é meio o que eu esperava; está cheia desses jovens gringos que adoram o terceiro mundo. Vocês sabem o tipo. Estão sempre de havaianas, usam roupas coloridas e tem sempre aquelas caras felizes. Na minha sala estudam: uma americana de NY com formação em história da arte e moda que está num giro pela América Latina e cuja irmã namora um brasileiro e dá aulas de inglês para crianças em Belém do Pará; um alemão de 18 anos que faz tours de bicicleta pelo mundo e pretende fazer trabalho voluntário com crianças chilenas e uma suíça muito risonha que não diz muito a que veio.
Aliás, essa menina da Suíça é um caso interessante. Acho que nunca tinha conhecido um suíço antes e estou impressionada como eles conseguem incorporar essa coisa da neutralidade e da discrição. A menina não dá uma opinião consistente sobre qualquer assunto minimamente polêmico (seja casamento gay, aborto ou ‘poluição’) saindo sempre pela tangente.
Tá, vamos que ela não queira criar polêmica. No entanto, nesse tipo de curso, o público é sempre composto por europeus e americanos super moderninhos. Assim, dificilmente uma declaração a favor do casamento gay ou aborto geraria reações acaloradas. Mesmo assim, quando a coisa aperta, ela sempre dá um jeito de ser a favor e contra qualquer tema e pronto. Dá um certo medo.
Além dos meus colegas de sala outras pessoas que conheci são: uma inglesa que trabalha com projetos de saneamento e vai passar três meses da África vistoriando obras (ou coisa do gênero); uma Australiana que viveu no Quênia e que está acompanhando o marido engenheiro o qual deve passar uns meses em Santiago a trabalho; e um canadense casado com uma equatoriana que trabalha com efeitos especiais (faz aquele Supernatural).
Com o tempo, conto mais sobre os meus coleguinhas.
Ontem foi o cumpleaños do Carlos e fomos a um happy hour com os amigos dele. Foi uma bebedeira louca que terminou com a gente voltando a pé para casa, carregando o rádio e o i-pod de um amigo do Carlos e travando o seguinte diálogo:
- Carlos, por que vc pegou o rádio e o i-pod do Jorge?
- Para ele não voltar dirigindo.
Então tá.
A nota interessante é que na mesa tinham uma venezuelana, dois colombianos e um peruano (além claro de um monte de chileno). É interessante como a gente, no Brasil, vive isolado do resto da América Latina e como eles, literal e metaforicamente, falam mais ou menos a mesma língua.
terça-feira, 14 de abril de 2009
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Esses pascoenses são uns neuróticos
É isso aí... eu estive na Ilha de Páscoa e sobrevivi. Não achei nenhum indício de vida extraterrena, intraterrena nem mesmo qualquer traço dos Atlantis ou coisa parecida. De fato, após percorrer a ilha de cabo a rabo a única conclusão que se chega é que esses pascoenses são uns neuróticos.
Primeiro algumas informações práticas. Páscoa é uma ilha mais ou menos do tamanho de Ilha Bela que está completa e totalmente isolada no meio do Pacífico. Saindo de Santiago são cinco horas de avião mar adentro. Com mais quatro horas e meia de vôo chega-se a Papetee no Taiti. A Ilha faz parte da polinésia que eu vim a descobrir (desculpe se todo mundo já sabia isso, eu não tinha idéia) é formada por um triângulo imaginário cujas pontas são: Havaí, Nova Zelândia e Ilha da Páscoa. Assim, pode-se dizer que estive oficialmente na Oceania.
Atualmente a Ilha tem cerca de quatro mil habitantes e a cidade de Hanga Roa é formada por umas dez ruas. Sim, é menor que Terra Roxa.
Geologicamente, a ilha foi formada por três vulcões principais: Poike; Rano Kau e Terevaka; cada um deles localizado numa ponta da ilha e mais 70 outros pequenos vulcões – inclusive o Rano Raraku; todos extintos, claro.
Já a história dos Rapa Nui é bastante conhecida. Em algum momento por volta do ano 400 d.c. os pascoenses chegaram e logo começaram a fazer os famosos Moais (ou cabeções). A ilha era habitada por diferentes tribos bastante estratificadas e com uma hierarquia bem rígida: os poderosos moravam perto do mar e a ralé ficava mais para o interior.
Note-se que os Moais eram inicialmente fabricados no Ranu Raraku e de lá arrastados para toda a ilha (inclusive para a ponta oposta) percorrendo distancias, eu diria, de 16 km em linha reta. Alguns Moais foram abandonados pelos caminho, outros nem saíram da ‘fabrica’ que ficou assim.
Deve-se destacar que alguns detalhes das estátuas (como o acabamento dos olhos eram feitos depois). O chapéu que alguns Moais usavam também eram deixados para o fim e eram fabricados do lado oposto da Ilha num lugar chamado Puna Pau.
Pois bem, saindo da fábrica os Moais eram carregados pela Ilha até os Ahus que são uns altares que ficam, normalmente, perto do mar. Ninguém sabe muito bem como os caras carregavam os blocos de pedra, mas a tradição oral diz que os Moais andavam. Um arqueólogo maluco fez uma experiência: considerando o ponto de gravidade dos Moais e usando alavancas, toras de madeira e uma galera, conseguiu arrastar um deles, em pé, por cerca de 50 metros em duas horas.
Claro que, na sanha de fazer e carregar os cabeções, os caras destruíram a ilha, acabaram com todas as plantas e tudo mais, mas não acaba aí.Revoltados com a situação na ilha, os pascoenses derrubaram TODOS os cabeções. Sim todos os Ahus e seus respectivos Moais foram destruídos. Os que hoje estão em pé foram restaurados por arqueólogos com a ajuda, em alguns casos, de uma empresa japonesa de guindastes em busca de publicidade gratuita (que ergueu uns Moais que não só haviam sido destruídos mas também 'espalhados' por uma tsunami).
Por volta do século XVI, o culto aos moais subiu no telhado e como a situação política da ilha estava tremendamente confusa e instável, o pessoal adotou um novo culto: o homem pássaro. Tratava-se de uma competição na qual se determinava que tribo mandaria nas demais pelo ano seguinte. Aparentemente, o resultado nunca era muito bem aceito e as tribos perdedoras passavam o resto do ano questionando a legitimidade do vencedor.
A competição em si parecia uma prova de líder do programa Survivor. Os competidores tinham que descer pelo penhasco da cratera do Rano Kau, se jogar no mar, nadar até uma ilha, atormentar os passarinhos que desovavam lá, pegar um ovo, voltar nadando e, por fim, escalar o vulcão. Quando sobrava alguém vivo, esse era o homem pássaro do ano.
Fizeram tanta confusão que quando os Europeus chegaram tinham umas 300 pessoas na Ilha.
Para piorar, no século XIX um barco peruano atracou na Ilha e levou quase todos os homens para o Peru para trabalharem como escravos. Graças a pressões internacionais (não sei muito bem de quem) os peruanos resolveram devolver uns últimos quatro gatos pingados que haviam sobrado. Esses gatos pingados, por sua vez, estavam contaminados com varíola e quando voltaram, quase exterminaram o resto dos habitantes. Em suma, é um milagre que ainda tenha alguém vivo por lá.
Os Moais que estão em pé são muito impressionantes, mas os Ahus destroçados têm aquele charme de ruína e devem se vistos também.
Para conhecer bem a Ilha alugamos um 4x4 que, pela semana toda, custou cerca de R$ 400,00 por cabeça. Foi uma boa opção já que dá muita liberdade e pudemos ir a quase todos os cantos (alguns pontos da ilha estão fechados para recuperação ecológica e só se entra a pé). Uma alternativa ao carro são os grupos de turismo, com guia etc. Não quer gastar e não suporta visita guiada? Seja macho e alugue bicicletas ou cavalos.
Deve-se ressaltar que alguns jovens Rapa Nui, quando viram mocinhos, resolvem ir viver como seus antepassados: vivem da pesca (acho), dormem em cavernas e andam a cavalo. Ah, sim, quando está sol ficam só de tanga fio dental. São chamados Yorgos.
Também dá para mergulhar na ilha. Pelo que vi há duas ‘empresas’ que alugam traje e levam qualquer um para mergulhar por cerca de R$ 40,00. Escolhemos uma chamada Orca porque era mais em conta e acabamos descobrindo que um dos donos era parente do Jacques Custeau (se era mesmo parente eu não sei, mas era francês com certeza). No fim, a água é tão limpa, tão azul e o lugar é tão isolado que eles te levam para mergulhar a 100 metros da costa e dá nisso:
Esse é o Carlos fazendo casting para o procurando Nemo parte II. Eu não mergulhei porque fiquei com dor de ouvido :o(.
No mais, embora as passagens sejam baratas e a gasolina seja subsidiada, a comida e bebida são muito caras e não tem muitas opções (pelo menos fora da temporada). Ainda assim, fomos a dois restaurantes excelentes (Te Moana e Kanahau). Os outros eram bons, mas tinham mais aquela cara de ‘restaurante de praia’. Os preços, no entanto, não eram muito diferentes.
Fora o hotel, não fizemos nenhuma reserva. Parece que na alta temporada os carros devem ser reservados com antecedência.
Também fomos a dois shows de dança Rapa Nui. Um deles feito pelo grupo Kari Kari que aparentemente preserva a cultura Rapa Nui. Ficamos numa tremenda dúvida acerca do que, nessa dança/música/figurino, é autêntico principalmente considerando que, após toda a história acima, devem ter sobrado uns três Rapa Nuis de verdade para contar história.
De qualquer jeito eu me diverti um monte. A percussão é bem animada e tem uma galera bonita rebolando e fazendo caras e bocas. Em algumas horas parece uma mistura de mestre sala e porta bandeira com dança do ventre.
Bem legal.
Ah, a Ilha também tem duas praias, mas só uma delas é própria para banho (a outra não tem salva-vidas). De qualquer forma, a água é meio geladinha pro meu gosto. Anakena tem palmeiras e Moais. Ovahe não tem nada disso e o sol acaba as 16:00 por causa da falésia mas é muito bonita.
Uma curiosidade é que a pista do aeroporto é a terceira maior do Chile já que é considerada pista de pouso de emergência para ônibus espaciais!!!!!! Fiquei muito intrigada com a seguinte dúvida, se, por acaso, algum dia um ônibus especial vier a pousar na Ilha da Páscoa como a NASA fará para levá-lo de volta? Ele decola e voa igual um avião? Vai rebocado? Faz escala onde?
Outra curiosidade: a ilha da Páscoa era chamada pelos Rapa Nui de umbigo do mundo. Pois bem: esse é o suposto umbigo da ilha (Te Pito Ote Henua). (Não consigo botar mais fotos, depois faço outro post)
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Cuempras
Aqui, em Santiago, também tem uma Zé Paulino: chama-se Patronato. Assim como no caso da Zé Paulino, embora exista uma Rua Patronato, o complexo de lazer consumístico se espalha por alguns quarteirões cheios de camelôs e de mulheres fazendo pesquisa de preços, arrastando crianças e comprando. Também como no caso da Zepa o local tem lojas boas e lojas bem bagaceiras. A diferença é que as lojas tranqueiras não querem parecer chicosas, são trash total, ainda que tenham coisas que prestem.
Numa das tiendas em que eu entrei a vendedora, de microfone na mão, ficava em cima de um banquinho, dançando reggaeton e gritando uma coisa do tipo: quem escolher uma jaqueta jeans durante essa música leva a peça por 1.000 pesos.
Patronato não tem só roupas. É uma mistura de Zé Paulino com 25 de Marco. Tem lojas de bijuteria, lojas de badulaques para o cabelo (tipo 50 elásticos por um real), além de roupas e coisas para o lar. Ah, e quem vc acha que toma conta do caixa? Os coreanos, claro. Como eles não falam nada de espanhol, uma vez feita a compra, a menina do balcão escreve o preço num papelzinho amarelo (meio padronizado) e o cliente vai lá ao caixa e paga.
Uma diferença gritante é que, aqui, você não corre o risco de morte ao atravessar a rua (aliás, os pedestres têm uma vida bem tranqüila em Santiago). Além disso, o acesso por metrô é realmente bom e fácil.
Uma coisa boa é que todas as lojas vendem para pessoas físicas comuns (embora comerciantes tenham preços especiais), mas poucas aceitam cartão.
Feita essa introdução, vamos ao que interessa. Nunca vi tantas malhas e roupas de frio tão boas e tão baratas. Para auxiliar na conversão adotei um sistema de que 10.000 pesos são, aproximadamente, 40 reais. Pois bem, nenhuma das compras abaixo custou mais que 10.000 pesos (na verdade, foi bem menos que isso).
Pois é. Nenhuma das malhas (que têm todas capuzinho) nem a saia (que veio com cinto e tudo e eu nem pedi) custaram mais que 40,00 reais.
Perdi o recibinho, mas assim que aparecer na fatura do cartão eu coloco aqui o total.
Amanhã vou para Páscoa e não levo o note. Como ficarei lá uma semana, novidades só na Páscoa.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Arte Precolombino
Como todo bom brasileiro tenho uma total (ou quase total) ignorância sobre os povos que habitavam a América espanhola. Sei que há muito mais do que Incas, Astecas e Maias mas fiquei boba ao descobrir que, no sul do Peru, uns caras chamados Changos faziam botes infláveis e pescavam tubarões, baleias e outros peixinhos. Os botes, diga-se, eram feitos de pele de leão marinho ou coisa que o valha.
O museu possui cerâmicas e objetos de pedra e madeira de vários povos e está organizado de modo que vc começa a visita pelo norte do México, desce pela América Central, Andes do Norte e do Sul além de Ilha de Marajó e Caribe. Achei o acervo muito legal.
Nunca fui para o Peru ou para o México então não sei como seriam os museus por lá, mas me chamou a atenção a pouca quantidade de peças em ouro e prata. Imagino que os espanhois devam ter derretido tudo. Uma grande pena, claro.
As tapeçarias são muito bonitas também. Tem uns quadrinhos que explicam sobre os diferentes pontos e formas de tecer e fazer figuras além, claro, de mostras de tecidos de diferentes padronagens.
Uma das coisas que mais me impressionou foram umas figuras de madeira de uns 2,5 metros chamadas Chemamull (os carinhas aí ao lado) que são talhados pelos Mapuches.Pelo que entendi são representações das pessoas que morreram e que são colocados sobre as tumbas.
Para quem tiver curiosidade, o museu tem um site bem organizadinho http://www.precolombino.cl/es/index.php
Voltando as trivialidades, após alguns dias aqui acho que deveria ter chamado o blog de Palta e Cia. Palta, para quem não sabe, é o abacate ou, mais precisamente, o avocado.
Tudo aqui leva palta. Quer sushi com abacate? Tem. Sanduíche de frango com abacate? Também tem. Salada de atum com abacate? Que pergunta.... Mc abacate. Também tem
terça-feira, 31 de março de 2009
Cidade das Varandas
Pois é, até o momento não tenho muito assunto mesmo (pelo menos que seja publicável).
De qualquer forma, não estou com nenhuma pressa de sair correndo para conhecer a cidade (que, aliás, é toda bonitinha). Até agora, tenho mantido uma rotina pacata e só reparei em bobagem tipo o método estranho que as pessoas usam para carregar os potinhos de Danone no carinho de supermercado (ainda tiro uma foto).
Outro exemplo. Nos lugares onde andei até agora não vi nenhum - NENHUM - prédio sem varanda. O povo para gostar de terraço! Fiz até um filminho (de qualidade duvidosa) dando uma geral da rua para depois poder tirar a prova dos nove e, até o momento, a tese se comprova. Pode ser que em outras regiões seja diferente, mas nos bairros por onde circulei todos os apartamentos tem, ao menos, uma varandinha.
Também temos visões notúrnicas do terraço do ap. do Carlos, onde ficamos tomando cervejinha antes de nos recolher :o).
No dia do jogo, as varandas estavam cheias de gente bebendo, comendo e comemorando.
Aliás, aqui teve uma comemoração dupla já que o Peru acaba de levar para arbitragem uma disputa territorial/marítima com o Chile (ou coisa assim). Como os esportes sempre têm essa característica de sublimar conflitos armados, dá para imaginar como as pessoas por aqui ficaram contentes!
Outra bobagem digna de atenção são os uniformes escolares. Eu fico sempre na dúvida se estou num filme pornô japonês ou num colégio inglês dos anos vinte. Tem de tudo: saias de pregas, meias ¾ e gravatinhas normalmente nas combinações branco e preto ou azul marinho e branco (clássico). Todo mundo usa, todos os colégios, sem exceção! Na verdade, essa é uma forma de controlar a freqüência nas escolas já que crianças e adolescentes de uniforme são proibidos de freqüentar lugares públicos como cinema e outros.